sexta-feira, 10 de julho de 2015

Fico com pena

Mas  disposto  à  luta


A  imagem  abaixo  do  aposentado mostra  como  estamos     todos  longe  da  utopia e  perto deste inferno  que é este  mundo  governado pelo  capital, onde o  capital  comanda  as  pessoas e ninguém  possui controle  sobre  o seu destino,mesmo  que  formalmente o  Estado  seja  uma expressão da    soberania  popular” um dos  conceitos  mais hipócritas  da  História.
Por  isso  que  eu digo  que  a tarefa histórica  das  pessoas  consequentes   da  esquerda é  formar,sempre,dentro de  um espirito  de  mudança  permanente,do    jeito  que  der,  o  cidadão  moderno,aquele  que  se  previne,que  participa,que procura  fazer este  conceito  valer.
Churchill dizia,no âmbito  dos  acontecimentos  da  2ª Guerra  Mundial,que  admirava  os  gregos,pois  quando  acontecia  algum tipo de crise econômica  ou  politica ,pelo  mesmo  três  gregos se reuniam  para discutir  e  ele  acrescentava  que estes  gregos  equivaliam a  um presidente da  república,a  um  primeiro-ministro e a um  chefe  da  oposição.
Quando  vi esta imagem  percebi o quanto a Grécia e os gregos  parecem  ter mudado  e  ela  suscitou  em  mim uma desolação típica  dos  dias  atuais,em  que  as  pessoas deixam  rolar e  não  têm  muita  compreensão  do que  fazer.
A  luta  de  nosso  tempo,no  entanto,é esta:armar  o cidadão,fazê-lo  capaz  de  ser um  militante  permanente  dos seus  direitos,no plano  da  massa como um  todo.Não  tem saída,com  os  grandes  conglomerados,o  Estado  do que jeito  que está,só esta luta  geral  dará  conta de  evitar  coisas  como esta,um  velhinho  no chão.
 

quinta-feira, 9 de julho de 2015

O que é ser laico?



Assisti    uma semana  atrás  uma  arenga  do pastor  Silas  Malafaia, na  comissão  que  trata  da homofobia  e ele  disse    que  o  parlamento  não  podia  ser laico, porque  a  maioria era  de  cristãos  evangélicos  que  tinham  o  direito de impor  esta  maioria  aos  outros.
O  advogado  Sobral  Pinto  costumava  dizer(ele que havia  nascido  no  século retrasado),que  até a  eclosão da  1ª Guerra  Mundial,qualquer acordo  verbal  valia  secula  seculorum.Depois  deste  evento  você  poder  fazer  quilos  de  contratos escritos  que não  adianta nada.
Este  processo de desconfiança  geral,que  dura até  hoje,teve  passos  importantes ,mas o  mais  importante  foi  quando se legitimou  o  governo  ditatorial  de Adolf  Hitler na  Alemanha,por  causa  da escassa maioria  que  votou nele.Com esta  maioria  os  nazistas  proscreveram  os  partidos  marxistas(e  parte  dos  alemães  aceitou)e  depois  os  outros  partidos  e  correntes  aceitaram a  ditadura  que lhes propunha  convivência  dentro da  “comunidade  nacional”.
O  que  o Pastor  Silas  Malafaia  disse ,a  sua estrutura  mental  argumentativa,casa  direitinho com  os  “ argumentos “de Adolf  Hitler.
Ser  laico  é  entender  que  a  religião,como outros  temas,é  uma  questão de  foro  íntimo e  não de maiorias,pois  ninguém,é,no plano  dos  direitos,da  isonomia  dos  direitos,melhor  do  que  o  outro.
Pode ser mais  eficiente,pode  obedecer a  lei,pode  ser melhor  pessoa,mas no plano  dos  direitos,todos  podem e  devem  ser  abarcados  por  eles.E todos  têm o  direito  de  fazer escolhas  religiosas  diferenciadas.
O  nosso  mundo  é  governado  por  esta  idéia  fascista de que  cada  sistema  de poder tem  o direito de dizer que  a  politica  certa (e  obrigar a  aceitar)é  o seu modelo,o  qual deve    ser  a mediação  uniformizadora  da  sociedade.
Se  eu tenho  eu  posso  tudo,a  despeito  dos  direitos  individuais,das escolhas pessoais,a  despeito  do  Direito  pròpriamente,na  sua essência  mesma.
O  mal  é  que  este  tipo de proselitismo  ataca  também a  esquerda ,que  pensa  que política  é  isto mesmo  também,imposição,e  aí fica  uma  disputa  que destrói a noção  progressista  do público(não estatal)que  é  o caminho  inevitável de progresso  e social  dos  povos.
A  rigor  nós  ainda estamos (e  quando  nós  digo  o  mundo  todo)na  idade média(se tanto).

terça-feira, 7 de julho de 2015

A manobra de Cunha



A manobra  de  Cunha  é  ilegal  na medida  em  que recuar para  antes  da  votação  do  substitutivo  é  refazer  o  ato  que  já tinha  sido  superado  pela  discussão  dos  líderes.Quero  dizer ,quando  levou-se  o substitutivo para  plenário  a proposta  anterior  acabou.
voltar a  ela anularia a  votação  e  isto  não  é  possível  regimentalmente,além  do  mais  por  colocar  as  discussões  futuras  sob  suspeição,sob  desconfiança,o  que  também  não  é  aceitável.
Cunha não tem  mais limites  e  l a nave  va.
O  quadro  político   brasileiro  não  muda.Uma  luta constante ,uma queda  de  braço sem  direção.
 A  solução,repito,  é um  alternativa este estado de  coisas.É  modificar a  estrutura  dos  partidos de  modo  que  os  jovens  não saiam deles,como demonstrou  uma  pesquisa  recente  de  O Globo.Estes  jovens    que estavam  certamente  nas  manifestações  e que  têm interesse  em  política mas  irão  para  casa,para  passar  o resto da vida  na  poltrona vendo estes  mesmos  políticos  que  não  fazem  nada.
Mesmo a contribuição  do  PT,repito,está  se  tornando uma  versão  vermelha  do    rouba  mas  faz”.Agora  é “ se incluo  posso  me  corromper”.Não adianta  incluir  (e  isto é  duvidoso,porque  só se  inclui com  bons  empregos  e não  crédito)e  não  ter  empregos,não  adianta  consumir e  ficar  inadimplente.
Tenho  medo  do futuro  á  frente.

sexta-feira, 3 de julho de 2015

A crise grega



Todas  as mídias  no  Brasil e quiçá  no mundo  passam  ao  largo  do  verdadeiro problema que transparece  na crise  grega.Quando  a  comunidade  européia,como  um  sonho  antigo,foi  estabelecida,todos  achavam  que  ia ser a  realização da igualdade  entre  as  nações  européias.
Mas  todos  igualmente esquecem  que estas nações,ou algumas  delas  ,permanecem  presas  ao seu  passado imperialista  e  colonial  e  dentro da  comunidade  européia ,em  vista  disto,não  acabaram  os  processos  políticos  hegemônicos  e  isto  é  a  causa  desta  crise  grega,que  expressa algo  que  acontece  recorrentemente  entre  os  países  hegemônicos e  os pequenos  que  não têm  pretensão e  nem condição de hegemonia,como  é o  caso  da  Grécia.
Como a  Inglaterra  cresceu  no  mundo e  na  Europa?Só  com a  importação  de  matérias-primas  de  suas  colônias?Não.Num  livro importantíssimo Nelson  Werneck  Sodré  analisou o  famoso  tratado de methuen  em  1758,pelo  qual  Portugal  compraria as  roupas  da Inglaterra  e  mandaria  para  a  ilha  o  vinho.
De  modo  geral  foi  assim  que  a  indústria  inglesa  cresceu e se  fixou,porque  a exportação  da  roupa  aumentava  o crescimento  das  manufaturas e  dos lanifícios  enquanto que  em Portugal  a  exportação  do  vinho  mantinha  o  país  fora  da  competição industrial  moderna(até  hoje).
Também as relações  com  os países  se    na  medida  a  beneficiar  estes  países  hegemônicos:eles  exploram  a matéria –prima  dos países pobres,com  mão-de-obra  barata(uma  terceirização  avant La  lettre)  ,industrializam-nas e  revendem  para as  colônias,estes  produtos , a  preços  escolhidos  pelas metrópoles.
Não  é  à toa  que  a  Inglaterra  fica  sempre  de  fora  da  comunidade.Quem  conhece  História  sabe  que  a  Inglaterra,para se  proteger,sempre  jogou  na  divisão  política  e  econômica  do  continente,exceto  no caso  do “  bloqueio  continental”  contra  Napoleão,uma  situação excepcional.
No  mais  foi  sempre assim.Hoje  se  ela  participa  desta  comunidade,em  que existe  um  projeto hegemônico,se  dilui,então  prefere  ficar a  meio  caminho  do  continente  e  dos  Estados  Unidos,uma  força  econômica  que  a  ajuda (mas  decerto  modo  ,a  longo prazo,a  ameaça,pois  ela  pode  se  diluir  também,na  hegemonia  norte-americana).
O  projeto  hegemônico  chama-se  hoje,Alemanha,que usou a  Grécia para  o seu estabelecimento,com a ajuda  de  outras nações  da  Europa  Ocidental.A  Grécia  é um  dos países  mais  militarizados  do continente,não se  sabe  bem  porquê,sendo  um  país  pacífico  como  é,desde a  sua  independência  em 1831.
Ocorre  que a  Alemanha  impõe este  comércio,como  necessidade  de  manutenção  do  equilíbrio da  economia  mundial,não  cabendo à  Grécia decidir  o contrário,isto  é,negar  ,e  preferir  importar  livros,por  exemplo,para  preparar  melhor  os  seus trabalhadores.
A  catrefa  de  Papandreou aceitou  este  modus  vivendi e  deixou  para  os  líderes  atuais a  tarefa  de  resolver  um  problema  que  eles não criaram.
Austeridade,como querem  os  alemães,significa  apertar  os  cintos,não investir e pagar  direitinho  aos  credores  ou em  outras  palavras,condenar  os  aposentados a  salários  minguados,o  mesmo  para  os trabalhadores,e condenar  muitos  ao desemprego e  subemprego  por dez  anos  no  mínimo,garantindo a Grécia  como    cupincha”  forçado  da Alemanha.
A  Grécia  pode  ser o  grande  laboratório de uma  nova  atitude  se disser não  no Plebiscito de  domingo,no  sentido de  se  dispor  a  pagar  os credores   mantendo  o crescimento.
Me  lembro de  Tancredo  Neves,aqui  no  Brasil,numa entrevista  depois de eleito  ,dizendo  que  não  pagaria a dívida  com a  fome  do  povo  brasileiro.
A  Argentina,depois  da  moratória,cresceu  a  7%   ao ano,e foi  pagando a  dívida(até hoje).É  assim que  deve  evoluir  a comunidade  das  nações.O  mundo só mudará  quando  o  menor,o  pobre,puder  dizer :eu  não  quero comprar  armas  e  isto  for  obedecido  pela  grande  potência,animada  de  chauvinismo.