sexta-feira, 20 de março de 2026

Luiz Felipe Pondé

 

Luiz Felipe Pondé esteve aqui no meu feed de noticias do facebook, apresentando dois cursos que ele montou. Os dois foram sugeridos por mim: um sobre Cristo nos seus diversos aspectos e outro sobre menos opinião e mais pensamento, ambos, como disse, sugeridos a ele pelos meus textos.

Como eu sei que isto aí tem um significado de contradição ao que eu disse sobre opinião tecerei algumas considerações sobre este curso, o que vai ter reflexos e respingos no curso sobre Cristo.

Eu defendi e defendo a posição de Gramsci sobre o homem como uma espécie de filósofo. Como pessoa de direita, elitista, Pondé, sabe que eu sou de esquerda e contradiz esta assertiva, por razões de suas escolhas politicas.

Contudo ,contudo , esta posição não é só do comunismo e de Gramsci, ela é proveniente do cristianismo, que inverteu o esquema de Platão, reconhecendo o valor da sensibilidade como fonte do conhecimento, conforme eu já expliquei em outro artigo.

Não há solução de continuidade entre o pensamento dos doutos e o das pessoas comuns: a origem é mesma, o grau de elaboração é diferente, mas este salto de qualidade não cria necessariamente barreiras entre o pensamento popular e o douto.

É certo que não é a mesma coisa, mas repito, é pensamento. Há uma diferança entre aqueles filósofos que servem de fonte aos outros e os que não têm esta capacidade, mas mesmo assim, há que ter critérios para definir esta influência, porque qualquer livro ou qualquer coisa pode ser influência para alguma coisa, para algum pensamento .

O critério decisivo aqui é lógico: a capacidade de transcender a sua época e de se universalizar, são os conceitos que determinam esta diferença, mas repito à farta, na opinião existe um pensamento, tanto quanto na forma erudita, transcendente e universalizadora.

Quem estuda a história do pensamento, e recentemente uma nova onda de pesquisa mudou um pouco a percepção desta história, vê que muitas ideias que se tornam conhecidas depois, no trabalho de grandes figuras, apareceram antes em trabalhos de outros autores e na prática social.

Thomasius antecipou muito do pensamento kantiano e mesmo David Hume. Existem antecipações de Nietzsche no século XIX e quem criou o método psicanalítico foi Breuer e não Freud.

Aquele que transcende e se universaliza pode ter pontos de contato com muitos outros criadores, assim como a criatividade na vida cotidiana ocorre frequentemente.

O fato de estas ideias não terem universalização não as conspurca , não as deslegitima.

Nós imaginamos a opinião como algo desarticulado, o famoso senso-comum. O senso-comum é aquile em que todo pensa por igual. Mas este senso-comum foi uma das bases da independência americana, através de Tom Paine e ganha aspectos interessantes na figura de Abraham Lincoln para quem “você pode enganar algumas pessoas; algumas pessoas podem enganar outras um certo tempo, mas todo mundo enganar todo mundo o tempo todo, é impossível”. De onde vem este pensamento que tem repercussão histórica , politica e social, porque revela um pragmatismo?

Ao ir votar a pessoa comum do povo tem uma razão para votar, que deve ser igual a alguns milhões. Isto não é pensamento? Não tem transcendência e universalização? Porque a trivialidade tem que ser recusada?

Não raro o cientista ou o filósofo abandonam trivialidades no seu processo de elaboração. Mas não obrigatoriamente.

Bach não é igual a Silas de Oliveira ,mas usa motivos folclóricos, ideias e temas populares , como os demais compositores.

Imagine que aquele médico perdido no século XVIII, Jenner, tivesse colocado diante de si esta barreira, douto e popular: por sua observação pura e simples inventou a vacina. Ele não se comportou como um cientista? Não produziu uma descoberta?

O que o cristianismo faz, Cristo faz, entre tantas coisas é reconhecer o valor deste pensamento, que acaba tendo influência na História, na política e na sociedade.

O pensamento puro é falso, ele está ligado no corpo aos sentimentos e emoções. Quando as pessoas vêem Cristo sofrer, uma quantidade de fenômenos legítimos surgem para compor um discurso politico, religioso, que muda a História.

A comunidade universal aparece, novos compromissos.

Os evangelhos são a expressão desta inversão na prática , valorizando a opinião, a doxa. Com exceção do evangelho de São João, os outros são narrativas populares, ideias que corriam pelo povo, pelas mentes do povo.

E no livro “ discurso filosófico da modernidade” , Habermas,falecido há três dias, afirma ,com Hegel, que existe o cristianismo popular e o dos doutos, mas ele, Habermas, ressalta que é suficiente a religião popular, pois ela é quem mantém a religião, a sua prática. Não existe o douto sem o popular, sem Cristo na cruz.

A opinião pode ser um desbaratamento, uma coisa sem nexo e sem importância, mas também entre os intelectuais isto pode acontecer .

Eu continuaria dando exemplos sem parar. O caso de Aristóteles , que fez uma doxografia de filósofos e a usou para contruir o seu próprio pensamento. Ele se referiu aos filósofos como opinadores, como doxa, contra a visão de seu mestre.

Estes dois cursos de Pondé entrarão em contradição distorsiva do papel de Cristo, mas a razão deste problema é querer enfiar no mundo do trabalho intelectual e científico conveniências politicas.

Como representante da direita brasileira “moderna”, elitista, como é, o importante é afastar o povo do conhecimento.

O objetivo é este e eu já o expliquei em outro artigo. A direita viu o socialismo real acabar e aproveita-se para sumir com a questão social e com o povo, para favorecer os seus financiadores.

Mas , como disse Goya, “a verdade triunfará.”



domingo, 8 de março de 2026

Quanto mais eu cavuco mais me decepciono

 

A postura de todo marxista e comunista militante é estudar os textos básicos de sua atividade e opção para poder se desencumbir bem. Mas a aventura do marxismo e do comunismo no século XX exige um estudo completo dos textos e sobretudo da história do movimento.

Principalmente neste último caso é mais que exigível: é imprescindivel. Porque todos os sonhos expostos nos textos, sobre a utopia, se confrontam com a realidade e por mais que se busque relativizar chega uma hora que não dá mais.

Sem falar no estudo dos textos, que me revelam problemas e contradições terríveis, insolúveis, o estudo da história do movimento comunista me cansa porque sempre que eu penso que as dificuldades terminaram, elas retornam.

Eu tenho este nome, ernesto, por causa de Ernesto Guevara, meu idolo de juventude. Com o tempo eu relativizei mais esta figura, como deve fazer todo adulto diante de idolos da infância(se quiser ser adulto), mas ultimamente eu cheguei no limite da relativização: Guevara foi chefe de um campo de concentração para lgbtqa+ para “recuperar” estas pessoas. Acho complicado acreditar na informação de que se a pessoa não recuperasse era fuzilada. Vou continuar pesquisando.

Mas o simples fato de haver um campo de concentração com esta finalidade, me encheu, em definitivo, as tampas e eu tenho que escrever este artigo para definir uma mudança na minha vida: para mim e isto eu venho anunciando nos artigos, o socialismo real é assunto liquidado e eu repudio toda a minha experiência neste movimento, porque não quero ficar impactado mais vezes com verdades que eu não sabia.

Continuarei pesquisando , mas desta vez e sempre, sem o comprometimento emocional, que eu tive 2\3 de minha vida. Isto já vinha sendo anunciado por mim, mas é importante eu colocar esta nova fase de minha vida, para que as pessoas compreendam o que eu digo aqui.

A ditadura vai vir.

 

Quando Lula foi eleito para este mandato aí, fiquei aliviado porque supunha que o problema do golpe tinha acabado. Agora com o crescimento da candidatura de Flavio Bolsonnaro, o meu terror voltou. Voltei àquele domingo de sofrimento em que meu peito ficou oprimido. O meu ufa! No final do dia não serviu para nada.

Há alguns meses da eleição para um candidato de oposição ficar no mesmo patamar do governante é para preocupar. Geralmente , não é assim: o opositor cresce no final, mais próximo do pleito. Agora não, estão empatados, com a ajuda deste governo decadente e reativo de Lula.

Um governante que fica muito tempo no poder e que chega lá com promessas radicais tende a cair ou necrosar ou qualquer outra situação que mostre a sua incapacidade de convencer o povo, mesmo aquele que votou nele.

Mas um outro fato aterrador está presente nesta situação terrível: se na eleição passada a eleição de Bolsonnaro significava golpe, que havia sido deflagrado no final do ano anterior, neste momento a eleição de outro Bolsonnaro vai significar a possibilidade de golpe.

Não terá adiantado nada este esforço de investigação e prisão de golpistas. Alguns ainda estão aí livres e “ trabalhando”. Não se iluda o leitor, nem ninguém, quanto à impossibilidade disto.

Uma eleição da direita vai catalisar de novo estas forças e garantir um esforço continuado de implantação da ditadura.

Pode não acontecer um golpe imediato, mas no âmbito do “ novo” governo Bolsonnaro, as articulações para tanto irão se desenvolver sem dúvida nenhuma. Não se iludam.

Em artigo passado eu falei que havia uma luta entre continuísmos que poderiam descambar para um golpe, seja de esquerda, seja de direita.

E o desenho que se apresenta diante de nós confirma este vaticinio.

Por culpa de Lula e do PT estamos correndo o risco de voltar a 64. Lula é o novo Jango?

sábado, 28 de fevereiro de 2026

O culto à personalidade de Lula III um perfil psicológico de Lula

 

Eu não tratar disto aqui nesta série sobre Lula, porque acho uma questão muito pessoal, mas em função do que as suas últimas atitudes causaram no panorama eleitoral , favorecendo a direita, como era de se esperar claramente, não resisto.

Quando era militante do partido comunista, falava-se de Lula como alguém um tanto quanto despeitado e ressentido e eu achava(até certo ponto até hoje)despeito e ressentimento do partido, que não suportava uma liderança que despontava legitimamente no panorama da esquerda, a colocar o PCB numa posição secundária ,o que foi o que se deu posteriormente.

Hoje, guardadas as devidas proporções, vejo uma certa razão naqueles meus camaradas do passado: Lula se preocupa demais com a sua imagem pessoal. É verdade sim que foi vilipendiado por sua condição de pobreza e de alguém não escolarizado e isto é um elitismo vergonhoso: Anisio Teixeira dizia que o homem aprendia dentro da escola, fora dela e apesar dela. Lula é uma prova extraordinária desta última assertiva.

Mas ele mantém um certo trauma destas acusações vergonhosas de quem lhe tinha inveja somente.

Se fosse uma questão pessoal eu não falava nada, mas parece que este ressentimento persiste e influencia na sua atividade politica: as coisas encaixam e ele não resiste a uma exaltação, como no carnaval.

Ele acaba sendo presa do mesmo fenômeno que atingiu outras personalidades, mal comparando: Stalin, Hitler, Napoleão e Mussolini. Em escala muitíssmo menor , mas real. Ele precisa ser alimentado por uma admiração social, que parece dar a ele segurança quanto ao seu governo e aceitação por parte do povo, quando, como eu já disse, tudo isto comprova um certo descolamento da realidade.

É uma lástima que uma liderança popular como esta acabe sendo rejeitado pelo povo mesmo. É uma situação trágica e impensável para alguém como ele, mas a personalidade individual , com seus problemas psicológicos, parece estar interferindo na politica e no...Brasil.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Um perfil politico do Presidente Lula

 

Lula, junto com Walesa é um dos dois lideres operários mais importantes do século XX. Lembro-me que os intelectuais(boa parte comunistas) tinham uma inveja figadal de Lula. Todo intelectual padece de uma contradição terrivel especialmente os intelectuais de esquerda,que sonham em moldar o mundo: ele quer ser reconhecido pelas massas mas o seu trabalho não tem como servir de rastilho de pólvora para uma união entre liderança e a referida massa. É um sonho irrealizável que Platão já sabia e provou da sua frustração(aliás Platão é quem inventou isto aí).

Todo mundo cercava Lula de modo a fazê-lo seguir exatamente este paradigma intelectual e muitos sob diversas justificativas o tratavam mal quando ele não seguia estes “ conselhos” dos “ gênios” e fazia o que queria a partir de sua experiência pessoal de vida, que é extremamente dura, mas ,uma vez superada, o tornou alguém bastante capaz e ,digo eu, superior a estes intelectuais.

Tudo levava a crer que a tendência era que esta sua extraordinária característica acabasse por colocar estes pretensiosos no lugar deles.

Mas a história de Lula provou ser o contrário; ao invés de buscar na sua experiência os fundamentos da sua politica ele aceita certos referenciais postos diante dele por... intelectuais.

Eu já me referi a isto: Lula precisava de referenciais culturais, conhecimento de certas questões, não de universidade, que eu não sou elitista. O fato de ele não ter escola corre a favor dele, mas ele não usa estas vantangens e busca uma identidade de esquerda absorvendo ,de orelhada, certas afirmações que ele não entende.

Cumprimentou Piketty sem nunca ter lido o capital e não tê-lo entendido(o que repito, corre a favor dele).

Assim acontece com outros intelectuais menos conhecidos , que impõem a ele conceitos como socialismo e outros que tais, que ele não absorve, mantendo-o num puro e ralo assistencialismo, uma politica reativa e sem criatividade, sem um projeto. É por isto que ele está sofrendo rejeição recorde e por isto a direita pode voltar.

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O culto à personalidade de Lula II

 

Encerradas as comemorações do carnaval, que tiveram um ponto de polêmica , com a homenagem de uma escola de samba de niterói ao Presidente Lula, nós podemos fazer alguns comentários, principalmente sobre as consequencias eleitorais e jurídicas da besteira.

No artigo anterior eu já manifestei o pensamento de que isto aí é ilegal: que um governante não tem como fazer isto, sem levar em conta o reflexo eleitoral da homenagem.

O argumento de que não há eleição presente e que o governante não está em campanha não procede , porque ele é um funcionário transitório e posto no cargo por uma eleição.

Tanto como funcionário como possivel candidato não é admissivel que isto aconteça, porque vai ter cosnequencias sim inevitavelmente favorecendo aqueles que estão com o PT e o Presidente.

Eu não sou supersticioso assim, em excesso; psicologicamente eu entendo que às vezes eu caio nesta armadilha ancestral, de acreditar em nexos fantasmas, mas a derrota da Escola é um mau presságio.

Quando disse no primeiro artigo que isto revelava um certo vazio de ideias, que é o que acontece em todas as formas politicas idolátricas-quanto mais exaltação menos conteúdo-eu não estava errado: tudo parece ter sido feito para angariar mais aprovação do povo, quando se vê que há um descolamento preocupante dele com o Presidente.

As pesquisas mostram que ele tem sofrido uma rejeição cada vez maior, embora digam que ele ganharia em quase todos os cenários. Uma coisa eu aprendi, com relação a pesquisas, nestes anos todos: quando chega a hora da eleição tudo muda.

Todas as tendências podem ser revertidas. Então a questão da rejeição assume um aspecto de aviso grave para o que possa vir a acontecer. E que não adianta empanturrar de benesses o povo, mas ter uma politica de governo, não reativa, mas inteligivel e que ganhe a população. Muito menos adiantará focalizar este ganho na exaltação da figura do Presidente e do seu passado.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Culto à personalidade tupinquim

 

Aqui no Brasil temos uma mostra de culto à personalidade, em torno do presidente Lula, que já fez um filme auto-encomiástico e agora será homenageado por uma escola de samba.

Faço certas afirmações fundadas na ordem racional das coisas e também a partir da lei. Isto me parece propaganda antes do tempo. Pode haver coincidência com as posições da direita, mas eventualmente ela tem razão.

Os governos e os governantes devem prestar contas do que fazem, mas a exaltação eleitoral destes feitos cabe aos partidos, segundo a lei eleitoral e ao governate só a informação.

È incrível como os fatos se repetem na História da esquerda. Por mais que neguem ,a matriz personalista( ou stalinista?)está sempre lá, ainda que tosca, pequena, mas está pronta para eclodir, se o poder fica muito tempo nas mãos.

É uma inevitabilidade, que prova que a esquerda não sai desta matriz soviética, mesmo um partido, como o PT, que aparentemente sempre negou esta filiação.

Em outros artigos eu disse que o PT era meio hibrido: ele se conectava com a modernidade, o Solidariedade, mas tinha sim um pezinho no passado.

E a prova é esta exaltação de Lula, que vire e mexe reaparece.

Mas esta exaltação é propaganda eleitoral sim, extrapolando os fins de governo, os fundamentos do governo e assim por diante.

Do ponto de vista da racionalidade das coisas isto prova também um pouco de vacuidade e falta de programa por parte de Lula e do Pt , que vão emitindo decisões apenas de acordo com a necessidade imediata.

Quando isto acontece a única forma de unificar as consciências é através da exaltação do lider.

Em passado recente Lula se colocava acima de Getúlio Vargas, mas com o mensalão ele se colocou ao lado dele. Agora existe uma outra tentativa de alçá-lo a uma significância um pouco exagerada e que denota falta de um programa, de um projeto nacional, substituido por uma figura carismática.