Numa sociedade baseada fundamentalmente numa igualdade total entre todos os seus componentes e em que o principio absoluto de solidariedade predomina, aquele que procura se destacar individualmente é tido como pretensioso, desejando ser melhor do que os outros.
Os homens são iguais em direitos , mas em termos reais são diferentes. A igualdade absoluta é sempre uma imposição de um poder que busca de alguma forma manipular a sociedade.
Aqui no Brasil nós temos não um socialismo real mas temos um “ pacto da mediocridade” geral, em que ninguém pode se destacar , ou pelo menos, tem que provar e conseguir se destacar de fato, por uma contribuição ultra diferente.
Mas para construir coisas, produzir conhecimento há que romper com este pacto.
Tantas vezes tenho falado nisto porque é necessário romper com isto se quisermos atingir um nivel alto de produção cultural capaz de nos colocar em pé de igualdade com os principais países e competir com eles.
O mais importante nestes regimes ultra-igualitários é que ninguém seja melhor do que ninguém. Quando alguém faz uma afirmação a outra pessoa ou as outras logo afirmam que também afirmam, mesmo que isto seja mentira.
Este comportamento é para manter estes vinculos, mas esconde recalque, a formaçã de recalque, porque muitos sentem desejo de produzir, de fazer coisas e não podem.
Aliás este igualitarismo já nasce numa conjuntura de recalque ,de impossibilidade de realização.
Se este estado de coisas deriva de uma revolução eventualmente, em outros lugares, como no Brasil, deriva da situação de pouca mobilidade social, principalmente para os menos favorecidos e é parte de uma nova militância não deixar que alguém busque se destacar.