Lula disse recentemente que na democracia é preciso aceitar o resultado das eleições. Lógico. Mas nós estamos diante de uma realidade excepcional, semelhante àquela que esteve em frente ao Presidente Jango: o golpe continua sendo fomentado, bastando apenas que golpistas tomem o poder, seja pela força ou pelas eleições.
È esta a conjuntura que está diante de nós e a responsabilidade do Presidente Lula em evitar o golpe é imensa. A mesma do Presidente Jango.
É claro que há diferenças entre estes dois momentos: a conjuntura da guerra-fria era extrema, exercendo uma pressão imensa sobre o nosso país.
Aqui eu não vou relembrar as atitudes de Jango frente a esta situação, os seus erros e acertos. Mas considerar o que aconteceu é fundamental hoje para defender a democracia.
O continuísmo de Lula é bom? Não seria melhor uma candidaura diferente? Como Haddad?
Os que lêem os meus artigos percebem o meu pessimismo quanto à vitória do continuísmo, fundado nos resultados das pesquisas: ainda não foi o momento em que Flávio superou Lula. Continuam empatados com uma diferença: em segundo turno o espectro ético brasileiro, pende, como eu sempre tenho dito, para a direita, para o conservadorismo, para a religião.
Isto equivale a uma superação eleitoral. Todo o mingau está sendo comido pelas beiradas e não há reação do lado esquerdo, muito pelo contrário, a ideia de uma confrontação definitiva ganha força, repetindo 64.
O final do filme todo mundo sabe: a direita toma o poder e reprime a oposição.
Não acredito que a ditadura vá se implantar imediatamente logo que a eleição acabe. Será um processo continuo de legitimação de um autoritarismo contra os setores ditos progressistas, mas o fato é que há uma responsabilidade sobre nós da esquerda em evitar a repetição de 64 e não apostar em aventuras, dando conta de que o Presidente Lula, como Jango, vai apoiar uma “revolução esquerda”.
Nenhum comentário:
Postar um comentário