segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Ciro Gomes II

Nem bem publiquei o primeiro artigo sobre Ciro Gomes e vi uma noticia dando conta de Lula acenando para o cearense.O aceno teve um quê de ironia,porque na primeira campanha vitoriosa de Lula,este disse que quando Ciro não tem o que dizer o ataca e isto é uma avaliação correta da situação porque Ciro só bate no PT,sem entender a complexidade do processo politico ,que apresenta alternativas a explorar.
Não é bater o tempo todo no PT para angariar apoio.Isto na verdade só ajuda ao PT.O irmão de Ciro ,Cid,tentou mostrar ao PT os seus erros e o partido rejeitou,então a melhor forma de ganhar do PT(e o PT) é criar uma alternativa que leve setores da esquerda,inclusive do PT, para um caminho diferente,social e nacional,distinto do PT.
Hoje o governador do Ceará fez comentários semelhantes ao que faço agora,mas o que une tudo é a certeza de que não tem sentido ficar confrontando o Presidente Lula,mas buscar esta outra via.
Pode-se pensar em tentar cooptar setores do PT muito insatisfeitos com os rumos do Partido.Exemplo:aqui no Rio de Janeiro a candidatura de Marcia Tiburi foi imposta por São Paulo e eu já disse que esta insistência chata em “ Lula livre”,é para preservar os interesses em torno dele,que afinal são os do partido,já que o PT só susbsiste como tal por causa da classe operária de São Paulo,sindicalizada.
Não é o caso de destruir o PT,mas de mudá-lo.Destruir um partido de esquerda a esta altura implicaria num risco sério de continuar favorecendo a direita.
Sempre pensei em Ciro Gomes como alguém capaz de criar e viabilizar uma alternativa ,mas votei em Haddad em 2018,porque naquele momento em que Bolsonaro crescia só era possível contar com o ex-prefeito de São Paulo capital e a resistência de Ciro em apoiá-lo dividiu(mais uma vez)a esquerda,porque Ciro só tem 18% dos votos.A sua impulsividade personalista,o seu lado arcaico,predominou ,em um momento muito delicado do Brasil.
Agora,contudo,é diferente, porque há tempo para construir um eleitorado em torno de Ciro,se ele entender que deve carrear o que grande parte do povo brasileiro quer:a superação desta polarização anti-nacional entre uma esquerda ultrapassada e uma direita desqualificada como sempre,mas que,pela primeira vez cresceu de fato.
Desde as manifestações de 2013 este sentimento vem crescendo ,para além de Lula ou Dilma, e é preciso alguém para explorar este novo fenômeno sócio-político,que ainda está presente no cotidiano do brasileiro.
Bolsonaro tem tudo para ser só um acidente se um candidato mais antenado e com esta perspectiva,souber pensar mais em termos coletivos e nacionais do que em termos pessoais.
Ora ,ficar atacando Lula é o que o mesmo quer.Lula deve ser esvaziado,positivamente,democraticamente,ou seja, a partir da construção de um novo sentido da politica ,por dentro da politica e da sociedade.
Ciro tem a oportunidade histórica de não só acabar com esta polarização,mas também tirar o Brasil da guerra-fria,de 64 e retornando às bases da , garantir que a prioridade das discussões politicas nacionais,gire em torno do Brasil.
Não se trata de social-democracia ou trabalhismo,embora isto esteja aí rondando,mas de trazer o pensamento para a realidade e não ficar nestas ilusões à direita e à esquerda,nestes modelos velhos,para,pelo menos,diante do país,começar a abordá-lo.

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

O aluno é receita o professor é despesa II

O problema da autoridade

Continuando o raciocinio do artigo anterior ,como manter a autoridade exigida do professor se ele é meramente um carimbador de diploma,pelo menos na área privada?
Esta pergunta é muito importante para mim porque ela mostra as contradições de nossa sociedade ,que tece loas aos professores,mas na hora H contribui para a diminuição do seu papel,para o seu desgaste.
Muita gente que comemorou a importância do mestre no dia 15 de outubro é aluna nas escolas e quando o professor exerce a sua autoridade,reprovando inclusive,ele vai até à diretoria pedir para ser aprovado e...consegue.
As universidades particulares ,mesmo as tradicionais ,não estão livres de interesses politicos e mercadológicos e neste sentido elas reproduzem ainda o pacto colonial e o sistema implantado pela ditadura que não é mais do que um aprofundamento disto daí.Mão-de-obra barata,que exporta para o exterior matérias -primas ,as quais são devolvidas de lá,em preços inacessíveis para quem as enviou(alienação).
Muita gente,inlcusive nas classes menos favorecidas,teve a oportunidade de estudar em faculdades,só depois de uma certa idade e estas faculdades lhe criaram muitas facilidades para isto.Só que estas pessoas,tendo que trabalhar muito cedo,adquirem condição econômica para realizar um sonho para o qual muitas vezes não estão preparadas.E também porque o objetivo é criar um profissional razoável apenas,para ganhar um dinheirinho e pagar impostos,o que muitas vezes não é o que a nação precisa.Este é o esquema básico da cooptação do aluno,pelas instituições e por mais que o aluno adore o professor,na hora H,repito não há admiração que o impeça de passar por cima de seu mestre(com a ajuda do dono da escola).E a maioria dos professores é obrigada a aceitar isto para garantir o seu emprego e o seu sonho de dar aula.
Isto é uma complexificação da acumulação primitiva,da rotatividade de mão-de-obra barata,porque de tempos em tempos os professores são demitidos paar reiniciar este processo ciclico de manipulação e exploração,que garante lucros escorchantes às instituições até que elas se dissolvam em corrupção,dividas e se desgastem com a má prestação de serviço,notada pelo governo,que as desqualifica.Mas o processo não termina.
Isto é um microcosmo da atitude geral do brasileiro que não reconhece a sua participação na questão geral da má educação,não cortando na sua própria carne se for preciso:se uma discussão sobre a qualidade do ensino for feita a maioria vai ser excluída e isto não vai ser aceito,mas ,um dia isto vai ter que acontecer e a perspectiva individual profissional,no mínimo,vai ter que se conectar com as exigências coletivas da nação.
Este governo que aí está mente sobre a questão da autoridade do professor ,propondo militarização das escolas,mas ajuda nesta mercadologia quando apóia a pura e simples afirmação do mercado,numa contradição que não reconhece e por isto não ataca.
Se não houver controle nacional do mercado,principalmente na educação,o efeito do colonialismo,que Bolsonaro critica na ONU,vai prossseguir no Brasil,com a ajuda dele.

quinta-feira, 17 de outubro de 2019

O aluno é receita ,o professor é despesa

Reflexões sobre o professor no seu dia

Muito embora este artigo tenha sido para ser publicado no dia 15,o sobrecarrego de trabalho deste articulista modesto,não raro,o impede de cumprir as suas promessas,mas ele cumpre,como se pode ver agora.
Quando era professor em escolas particulares,predominantemente,eu costumava brincar com os alunos dizendo a frase acima,que intitula este artigo.
No que tange à faculdades particulares,isto corresponde,mutatis mutandi,mais complexificado,ao que Darcy Ribeiro dizia no passado:”nas faculdades particulares o professor finge que ensina e o aluno finge que aprende”.
Mais complexificado quer dizer que a universidade particular no Brasil ,além de promover este tipo de falsificação da atividade de ensino/aprendizagem,representa o sistema de capitalismo atrasado e autárquico do Brasil,acrescido dos interesses mais escusos,” escondidos” sob a ditadura militar.
Ainda que seja só um setor da educação brasileira, faz parte do quadro de manipulação e exclusão do povo brasileiro da melhor educação,que lhe é devida,por ordem da constituição de 88.
Disse outras vezes e repito que o grande problema do Brasil é que o capitalismo nacional quer respostas rápidas para seus investimentos.Quer dizer ,a cada investimento,o lucro em retorno tem que ser imediato.
Não que isto não ocorra nos países centrais,mas lá,por razões históricas,a cultura está mais disseminada pelo povo,que não precisa ser formado para obter os resultados culturais necessários à nação,como aqui em nosso país.Nós somos um país por fazer.Não é que o povo brasileiro não seja capaz de produzir conhecimento,entendam bem,mas somos atrasados e dependentes dos outros países.”
Se queres ser universal,volta-te para tua aldeia”.O Brasil precisa produzir tendo como referência nossa “ aldeia”.Mas nós só temos como referência o que vem de fora.
E as universidades particulares vieram de fora,dentro do projeto americano de cooptar a juventude crítica dos anos sessenta para interesses financeiros e profissionais imediatos.
Neste sentido o aluno paga uma universidade para ter o carimbo do professor no seu diploma,que o fará ganhar dinheiro e devolver ao capitalismo o que ele quer:dinheiro,capital,num circulo vicioso permanente,em que o professor é mera peça de engrenagem,no processo de massificação alienada da juventude.
Isto não foi feito por Paulo Freire ,como dizem alguns idiotas aí da direita,pelo youtube,mas pela ditadura,usando Piaget(sem o perguntar,que analisava crianças).Tudo tem como referência o imediato,a ponta do nariz:o professor tem que viabilizar o ganho imediato do dinheirinho do aluno,que vai sair da instituição,evitando que ele perca tempo com questões humanas e transcendentes,politicas e culturais.
Assim sendo qualquer professor pode ser substituido por outro ,semestralmente,num processo de acumulação primitiva,porque qualquer um sabe carimbar um diploma.
A rotatividade semestral da mão-de-obra,do professor,garante lucros extorsivos neste processo perverso ,que se alimenta permanentemente,sem que este lucro seja reinvestido em educação.
Uma pessoa leva anos paras e formar e a melhor formação é aquela que não espera ,de imediato,o lucro.

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Ciro Gomes

Uma vez o advogado Sobral Pinto fez uma crítica a Juscelino Kubistchek e este o convidou para fazer parte do seu governo. .Sobral se recusou alegando que fizera a crítica apenas pelo seu direito de cidadão,não para obter vantagens.
Neste artigo eu cito diretamente um politico conhecido dentro deste espirito do doutor Sobral:não é cavadinha,é o meu direito.
O futuro candidato à presidência em 2022 é a chance do centrismo voltar ao Brasil e acabar com esta polarização idiota que está aí.
O candidato concedeu uma entrevista à Folha de São Paulo,com cujos principais pontos eu estou de acordo,evidentemente de maneira crítica.E é esta maneira crítica que me induz a fazer este artigo.
Ciro Gomes é um politico que tem um pezinho no arcaico,mas potencialidade para expressar uma esquerda moderna se assim quiser.
Na entrevista à Folha de São Paulo,Ciro demonstra uma preocupação arcaica com Lula e o PT que até certo ponto é justa,no seu lugar.Mas é personalismo focar somente nestas questões,em torno do ex-presidente.
Ciro só tem 18 % dos votos,como na última eleição.Não há indicios de que ele tenha crescido.Se ele se candidatar em 2022 com chances,desta vez,terá que aumentar este eleitorado,pois se a polarização destes anos se repetir tudo ficará entre Bolsonaro e Haddad.
Note o leitor que eu não estou me referindo às minhas preocupações pessoais,quanto à fundação de uma nova esquerda,mais moderna,mais nacional,genuinamente social-democrata,mas alguns destes temas terão que ser abordados pelo candidato centrista se quiser angariar apoio maior ,de modo a superar o PT.
É um consenso entre o povo que esta polarização é ruim e as expectativas são as do cotidiano,desemprego,carestia,coisas corriqueiras,mas que se aprofundaram de Dilma para cá.
Se fixar na crítica aos fatos da politica diária,em Lula,Moro não vai ser suficiente para Ciro crescer e ter chance de ganhar a eleição.Terá que dividir este discurso,com um programático,com soluções mais firmes e esperadas.
É o que eu quero saber e,sem pretensão,o que o povo quer.

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O robozinho e o elefante

Quando eu digo que a direita e a esquerda são iguais ou se parecem muito ninguém acredita,principalmente elas.O que eu faço aqui como pesquisador e articulista,no âmbito das redes sociais não é coisa de comunista ou ex-comunista,é alguém que usa o mercado dentro de suas possibilidades fundamentais:o mercado,segundo a filosofia liberal do atual governo é a solução mágica dos problemas do Brasil e é assim que pensam os seus apoiadores aí em outras midias.
Mas ao aparecer alguém que não comunga daquilo que os dominadores hegemônicos do mercado querem,eles abandonam o conceito liberal que tanto os agrada para começar a reprimir,a questionar.
O mercado,por definição do próprio liberalismo tem que ser de todos.Assim como os comunistas controlam e suprimem o mercado,o capitalismo e principalmente o capitalismo autárquico brasileiro,busca manter as suas conquistas,dos principais grupos,para sempre ,reprimindo aqueles que,individualmente tentam o seu lugar,como de direito,e a partir dos fundamentos do liberalismo.
Mas a vida não é assim:capitalismo e comunismo às vezes se igualam por uma palavra simples,controle ,à qual poderíamos acrescentar uma outra:poder.Quando se consolida um determinado poder,ninguém quer abrir espaço para outrem,considerando a nova iniciativa como ameaça.
O youtube e as redes em geral são ocupadas por peguetes,crianças,futeboleiros,radios,televisões que querem encontrar um novo espaço e obter mais fatias do mercado da mídia,em meio à crise por que passam as formas midiológicas tradicionais.
Porque cargas d´água um professor de filosofia não pode obter o seu nicho de mercado,em meio à crise também ?As pessoas dizem que isto não interessa à maioria e eu concordo,mas não são todos que não gostam de filosofia,cultura,arte.Existe um público sim.
Ainda que eu não obtenha ganhos é importante,por um princípio de democracia que certos liberais insistem em conectar indissoluvelmente com o mercado,que eu possa vender o meu peixe nas minhas midias escolhidas em paz.
Mas tanto a esquerda anacrônica como a direita de sempre,numa simbiose perversa querem o controle,não a liberdade.

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Que história é esta de “ isentão”?

Agora apareceu por aí um carimbo para colar nas pessoas,que,como eu,querer ficar no “ centro”.
A expressão que uso para me caracterizar como “ centrista” vem do socialismo,do socialismo da II Internacional.
Ao longo dos tempos porém,este termo tomou múltiplos significados,inclusive de centrão conservador,aqui no Brasil.
É um termo quase placebo,anódino,mas ele é importante para designar pessoas como eu que repudiam os extremismos que,em nome de valores dogmáticos ou cientificistas,exigem adesão.
Os fundamentos de meu posicionamento já foram expostos em outros artigos,mas eu vou resumir aqui:a verdadeira ciência da sociedade não é o marxismo,é a sociologia,mas tanto um como outro saber não dão conta do mundo todo e só as sociedades organizadas em nações ou em outras formas de grupos sociais podem assumir a responsabilidade por elas próprias.O dia que houver uma comunidade internacional,uma nação universal(assunto para outro artigo),aí sim nós poderemos falar num internacionalismo consequente,efetivo,respeitando as particularidades regionais e os valores de cada país,cada classe,cada grupo ou etnia.
Enquanto não(infelizmente ainda não)só a partir desta mediação e de outros recursos intelectuais,como a geopolitica,nós podemos pensar em termos universais.
Ditas estas coisas,o centrista,como eu,está preocupado em interferir,como já interfere,votando e pagando imposto,na sua regionalidade.
Tanto a direita como a esquerda ficam tentando identificar os seus modelos explicativos com a nação,sempre a repudiando ou manipulando.
Através de Carlos Bolsonaro( o pitt bull da família)se atribui aos centristas a apelido pejorativo de “isentão”,que ,no fundo,para ele,é interação com o comunismo e com o PT( e com LGBT,etc.),num assomo de grosseira má compreensão do processo politico.Carlos pretende vender a ideia de que as suas posições se identificam com a nação brasileira,por ela ser predominantemente crente em Deus,mas o Brasil é uma república,onde quem predomina não é o católico,o umbandista,o direitista ou o esquerdista,mas o cidadão.

domingo, 6 de outubro de 2019

Os conselhos tutelares:uma nova frente da politica

Aqui na zona oeste,onde moro,se fala muito nas eleições deste domingo para os conselhos tutelares.Nunca houve tanta agitação para estas eleições,que estão mobilizando como se fossem eleições regulares.
Contudo,se é bom que tenha crescido a importância desta atividade,ela já nasce com os vicios de origem próprios e costumeiros do Brasil e ,especificamente,do Rio de Janeiro: a influência da politica,no seu pior sentido.Grupos de interesses escusos estão tentando ocupar este espaço ,que deveria ser o de ampliação dos direitos do povo menos favorecido e de sua proteção.
Aqui onde resido se fala muito que há candidatos apoiados pela milicia,nem mais nem menos!Seria uma contradição escandalosa,que,para cuidar de crianças em situação de vulnerabilidade,alguns dos responsáveis por esta situação fossem indicados para a função.
Vem à minha lembrança um episódio da vida de Al Capone,em que o bandido ajudou a comunidade a achar uma criança sequestrada,fato corriqueiro na história do banditismo em que,face à miséria e ao sofrimento,os marginais ocupam uma função heróica,diante de um estado que fica entre a omissão e a opressão.
O imenso oceano da miséria aceita ,não raro,posturas ambiguas,porque a lei e o estado não atuam nele,sendo esta uma das contradições do movimento social(tema para outro artigo).
Mas o movimento social,diante deste nova tragédia,que é crianças “ protegidas” por bandidos,deve repeli-la firmemente e é uma oportunidade para realizar esta desambiguação.