Uma das consequencias das ideologias, dos seus descaminhos , é ,como tenho dito sempre, o igualitarismo absoluto. Ao longo da história e até hoje sempre se vê um projeto de igualitarismo: a igreja católica e os cristianismos sempre propuseram uma fraternidade universal, a partir de seu Deus, Cristo: “amai-vos uns aos outros como eu vos amei”.
Isto é uma proposta , mas inserido na cabeça de muitos como uma potencialidade humana, que mediações ilegítimas impedem. Desde Rousseau no tratado sobre a desigualdade, que acusou a propriedade de ser a maior das barreiras e chegando a Marx na questão da exploração, nós vemos a concepção de que o homem tem em si a necessidade do reconhecimento da igualdade e da fraternidade, mas a verdade é que tal ideia é algo criado pelo homem diante das injustiças e exige uma construção. Não está pré-dado.
Mas como eu digo sempre ,decair, destruir é mais fácil do que construir algo.
Então , a partir das ideologias, que venderam falsamente uma solução defintiva para a separação dos homens, esta fraternidade é imposta como algo a ser exigivel para qualquer ser humano, sendo a sua não aceitação ,um anátema, contra aquele que diverge.
O igualitarismo, a fraternidade imposta no imediato, sem a construção prévia de seus critérios, é um instrumento de ditadura , de imposição, que acabou com um outro principio cristão menos falado: “praticar o bem sem olhar a quem”.
Nós vivemos numa época em que quando alguém relata um problema, não só não é ajudado,como é acusado de querer ser melhor do que os outros e se recebe ajuda aquele que a prestou age como um mafioso , que cobra um retorno, por parte de quem foi ajudado, de quem pediu ajuda.
Se não tiver necessidades este “ mafioso” moderno inventa uma para cobrar do outro.
O socialismo real supunha que não havia mais problemas, doenças e que a solidariedade era aquela, baseada na igualdade absoluta entre as pessoas, logo reclamar um problema era romper com esta fraternidade.
O socialismo acabou , mas estes “ valores” não.
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