domingo, 4 de agosto de 2013

As mãos que oram

Este famoso desenho do maior representante do renascimento Alemão,Albrecht Durer,intitulado “Mãos que oram” suscita algumas reflexões sobre moral e educação.
Conta-se que quando pequeno este pintor revelou enorme propensão para as artes e a cultura e havendo na cidade onde vivia a possibilidade de um dos seus irmãos ser ajudado pela igreja nos estudos,ele combinou,escondido,com um deles,também talentoso,que quem fosse escolhido,trabalharia para ajudar o outro a estudar,posteriormente.
Durer foi escolhido e quis cumprir a promessa.Se formou pintor,trabalhou durante quatro anos,enquanto o seu irmão,tendo permanecido em casa,trabalhou nos serviços pesados,inclusive nas minas.
Ao retornar,o pintor,com dinheiro,veio cumprir a promessa e num almoço de família convidou o irmão a estudar e este,em lágrimas,disse que depois de tantos anos se esforçando em trabalhos pesados e tendo ficado sem fazer outra coisa senão isto,não tinha mais condições de seguir nos estudos e a família toda começou a chorar.Como homenagem e tentativa de eternizar o irmão prejudicado,Durer fez esta pintura acima.
Aqueles que viram o filme “ 174” devem lembrar um momento em que o personagem principal do filme,Sandro,é instado,por uma assistente social,a estudar,se dedicar a uma vida melhor.Mas ele está com uma arma na mão,pedindo dinheiro a ela para sair com a sua namorada.
Estas histórias que as formas maravilhosas da arte nos trazem me ensejam a uma reflexão sobre a necessidade da educação de abandonar o moralismo,especificamente no Brasil(mas acho que no mundo todo),porque casos como o dos alemães acima estão aí o tempo todo.
Anisio Teixeira,o grande educador brasileiro,dizia que o “ homem aprende na escola,fora da escola e apesar da escola”.O homem que é jogado na miséria,na necessidade imperiosa do trabalho,desde a infância,perde a sua condição educacional?

Se a educação não for moralista não.Porque aquele que trabalha,sem estudar,formando vínculos afetivos,está no processo educacional há muito tempo e é só dar continuidade.A visão educativa de modo geral é autoritária,possessiva e moralista,ela acha que o mundo converge para as escolas,quando é o contrário,o mundo vai à escola para depois retornar,num circulo/ciclo,de vida,de afirmação.Então,como eu digo sempre ,o conhecimento é de todos,e a escola não é finalidade,mas meio.A escola não é imobilidade hierárquica,mas parte do processo.Tanto Sandro,quanto o irmão de Durer,no século XVI,podiam ter sido salvos.

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