sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Mais considerações sobre a previdência

Aqui neste artigo eu pretendo aprofundar ,como havia prometido, a minha visão do estado previdenciário.
A solução possível para o problema social ,que ocupou e ocupa a humanidade desde o século XVIII,é o Welfare State.A sua origem é muito antiga:Babeuf tinha falado na necessidade de intervenção do estado para reduzir a miséria ,no interior mesmo da Revolução Francesa em curso.Rodbertus ,no seu socialismo de estado ,já falara na necessidade de sua intervenção para aplacar os efeitos da exploração da mais-valia.
Isto sem citar a contribuição de Bismark,que montou o primeiro sistema previdenciário,para diminuir o furor revolucionário da classe operária,na Alemanha da segunda metade do século XIX.
Como qualquer fato ao longo da história o welfare state não é algo criado repentinamente e nem é posse intelectual de ninguém,pertencendo à experiência e luta dos povos.
Ele se tornou inevitável na crise de 1929 ,mas já se falava de diversos modos na intervenção inelutável do estado,por volta do ano de 1910.
Tanto a direita quanto a esquerda discutiram o estado e lhe propuseram funções.Georges Sorel em sua “ Reflexões sobre Violência” preconizou o seu uso para impor mudanças sociais,idéia que prosperou muito no socialismo real e principalmente nas concepções de Mao Tsé Tung.
Mas a direita também bebeu desta fonte ,com outros objetivos e finalidades naturalmente.O fato é,no entanto,que a crise de 29,impõs a sua participação definitiva.
Desde então ,à direita e à esquerda, a previdência tem sido usada para finalidades e objetivos diferentes.Nós podemos,no entanto,dizer que a esquerda entende a previdência como um elemento aglutinador social,culturalmente encarregado de fomentar o solidarismo e a preocupação com a miséria.A direita ,no seu lado,entende que a sociedade,para ser solidária ,deve ser produtiva e a forma de torná-la é ajudar o capital a crescer:ora o mercado é fomentado;ora o capital mesmo é usado.
Ambas as posturas,a meu ver ,estão erradas:na esquerda o solidarismo se transforma em assistencialismo politico.Quer dizer os sindicatos,os partidos, ajudam as pessoas,atingidas por problemas sociais variados,que lhe dão apoio politico.É o vanguardismo de esquerda,uma forma de elitismo vermelho.O sub-produto mais comum desta atitude é travar a razão emancipatória,o processo de crescimento real da sociedade.Mas não só isso:cria um desinteresse de crescimento individual e o protegido pela previdência se torna um dependente do estado(como acontecia no socialismo real).No fundo ,no fundo, isto tem a ver também com a continuação do processo de exploração tipico do capitalismo autárquico(dependente do estado)brasileiro(mas não dele somente),o que iguala a esquerda com a direita,guardadas as devidas proporções.
A direita ,quando sai um pouco deste esqueminha,por razões imediatas e imediatistas(politicas[como agora])joga tudo para o mercado:melhorar o consumo ajuda a dinamizar o mercado,que favorece a arrecadação,que pode facilitar o investimento.Junto com isto a privatização,inclusive de empresas do estado,para fazer caixa.Não só a direita age assim,pois o governo “ social-democrata” de Fernando Henrique fez o mesmo que Collor e agora Bolsonaro.
Eu reitero:as duas posturas estão erradas.A direita e a esquerda jogam tudo numa mediação econômica,quando o que soluciona é a vinculação do trato econômico aos objetivos e necessidades da sociedade,da civilização.
De que adianta ter capital para investir se não se investe em educação?Porque falo em educação?O consumo brasileiro geral é baixo,porque o brasileiro ganha pouco e ganha pouco porque não tem oportunidades educacionais e não ascende a bons empregos,com bons salários.O investimento que as privatizações e o mercado aquecido proporcionam não duram uma década em seus parcos efeitos,porque o investimento tem que ser feito nos fundamentos nacionais e não na ajuda imediata a empresas ,instituições,agronegócio etc.Daqui a dez anos volta tudo.
De que adianta fomentar o solidarismo se as pessoas continuam na miséria?Se não progridem individual e coletivamente?O socialismo da miséria nunca foi a teoria de Marx.Há uma confusão permanente entre as concepções de Marx e o cristianismo,o que não tem nada a ver.
Eu vou continuar tratar disto no próximo artigo.

sábado, 14 de setembro de 2019

Fluminense:clube correia de transmissão

As noticias que vêm do Fluminense só apavoram os torcedores como eu.O que o Fluminense cria e produz passa para os outros,para suprir as sua necessidades.Agora,depois de muitos outros foi o Pedro.Agora o Fluminense perdeu para os dois times mais fracos do campeonato brasileiro e corre risco sério de rebaixamento de novo.
Dentro deste caldeirão nós temos que identificar os problemas,para por-lhes uma ordem necessaria ,se quisermos ajudar o clube a sair em definitivo desta situação.
Inicialmente o Fluminense,como outros clubes,tem uma história,à qual se ata e que o define:o Fluminense foi o primeiro grande clube a reconhecer a importância do futebol e foi fundado como clube de futebol.O fato de ser um clube do Rio de Janeiro,capital da república e caixa de ressonância do país,só acrescenta nesta verificação da importância histórica do Fluminense:o futebol brasileiro se fixou e cresceu a partir do Fluminense.O eixo de crescimento do futebol nacional é fluminense e flamengo,apesar do que os paulistas dizem.
Mas outras características são decisivas:como demonstrou uma pesquisa há muitos anos atrás o Fluminense é eminentemente um clube de classe média e muito ligado ao Rio de Janeiro.Existe torcida em outros lugares do país,mas é aqui a base do Fluminense.
O Fluminense há muitos anos me parece um clube correia de transmissão e não de ponta,como foi no momento da sua fundação e anos subsequentes(até a profissionalização do esporte,processo em que o clube teve liderança em 1932).Os técnicos em inicio de carreira e os que estão no fim atuam no clube;o mesmo acontece com jogadores e tudo parece uma concessão ao Fluminense.É como se fosse um processo de aposentadoria,em bom nível.
O São Paulo e o Bangu passaram por um processo semelhante no passado.Zizinho terminou a carreira no São Paulo e o Divino Mestre Ademir da Guia,no Bangu,mas o primeiro soube reverter esta situação ao longo de duas décadas.
É evidente que esta identificação do clube com o estado de São Paulo não prescindiu da mediação duvidosa da politica,mas isto não invalida o projeto de crescimento do clube.O São Paulo construiu o seu estadio e pode adquirir autonomia total em relação aos outros clubes e à prefeitura de São Paulo.
O Fluminense precisa entender que a modernização é o caminho e que cada época põe os limites que devem ser obedecidos.No tempo do São Paulo os campeonatos estaduais ainda eram importantes e fundamentais,hoje não.Gosto dos campeonatos estaduais e defendo a sua permanência no calendário,mas de outras formas.Atualmente a inserção no plano esportivo internacional é decisivo, o que prioriza ,no nosso país,o campeonato brasileiro e a copa do Brasil.
Então a dependência pura e simples do Fluminense de patrocinadores e mecenas só o põe em risco quanto mais o tempo passa.
Embora um clube forte o Fluminense não tem como se comparar com Vasco e Flamengo e talvez seja melhor construir o seu estádio,numa forma consentânea com seu potencial e adquirir,como o São Paulo,autonomia sobre as suas rendas e sobre a sua capacidade de investimento.Talvez seja melhor deixar o Maracanã para Vasco e Flamengo.
A tendência nas sociedades modernas é o crescimento da classe média.Havendo este crescimento,o Fluminense tendo uma marca atrativa e uma segurança financeira pode voltar a ter uma grande torcida e daí anagariar apoio em outras classes sociais.
Se o Fluminense ficar dependente de mecenas e de ajudas,vai seguir o caminho do Bangu referido e do América.
Eu não sou de fazer drama e ficar chorando porque o Fluminense ficou devendo uma ida à segunda divisão.A política dos clubes é assim mesmo.Mas do ponto de vista psicológico este fato parece ter dado uma falsa confiança ao Fluminense.Um dia a politica perde lugar ,devidamente,para a profissionalização e a seriedade de propósitos dos clubes ,que não podem ficar à mercê destes perigos e instabiliaddes constantes.
Entre o inicio de carreira e o seu final os jogadores e demais profissionais precisam entender o Fluminense como clube de ponta e não de correia de transmissão dos outros.

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

E a esquerda hein?

É urgente um partido novo de esquerda no Brasil.Diante desta catástrofe que é o crescimento da direita não podia ser pior a falta de uma oposição mais forte.Muita gente diz que na hora da próxima eleição nada indica que Bolsonaro permaneça,mas só a direita se movimenta.E mesmo que ele seja derrotado o fato histórico é que a direita se consolidou.
O PT é apenas um pálido reflexo do getulismo.É uma vanguarda em torno de uma liderança personalista(como Stalin),sem projeto nacional e que tonitroa esganiçadamente o “ Lula Livre”,porque se seu lider desaparecer ela desaparece(junto com os privilégios).
No entanto ele é como o MDB no tempo de Tancredo:ele é que possui a massa de trabalhadores organizada capaz de aliada à classe média,retomar o projeto nacional.Para isto,é preciso que ,de fora e dentro se faça a modificação do seu receituário politico,a partir do reconhecimento dos erros fatais cometidos.
Tanto quanto na reforma politica é dificil os politicos cortarem na própria carne(por isso defendo referendum como Dilma propusera),na esquerda sempre foi dificil reconhecer os erros,porque,como nos outros partidos,se houvesse autocritica,uma autocritica real,não relativizada(como Prestes fazia)as vanguardas da esquerda perderiam o seu lugar.O vanguardismo vermehlo do PT impede que ele evolua.Ele prefere o culto à personalidade de Lula,que fenece a cada dia,mas é mantido a todo custo,por interesse pessoal,deixando o Brasil de lado,como já reiterei inúmeras vezes.
Nós estamos sem oposição.A esquerda não existe e não se renova.Ela está lá presa com Lula e resiste a propor novas ideias,jogando tudo numa possível eleição de Haddad,como se isto fosse suficiente.E Haddad disse que queria ganhar a eleição para o Presidente Lula.O Brasil que se dane.O desemprego que se dane.Na verdade vou repetir:todo mundo deixa de lado esta tragédia do desemprego,paar criar uma situação de comoção e só depois de obter o poder atacá-lo.O poder está na frente do dever.Bolsonaro não faz nada,a esquerda não tem proposta.
Falar nisto ,eu fiz análises ( e faço ainda)ouvidas aí pelas rádios,que têm se mostardo premonitórias quanto a estes acontecimentos politicos.Já disse:não pretendo originalidade,mas as pessoas que me lêem têm o dever de me citar,de me dar oportunidade de falar,mesmo sem diploma.Tem uma radio aí no Rio de Janeiro,que eu já citei,que vive me lendo,mas não me reconhece.A esquerda e a direita têm uma relação simbiótica,eles repetem isto.Eu ouvi isto aí numa mesa de bar,é um consenso de parte do povo brasileiro,mas me lendo aqui tem que reconhecer.
A ideia de uma politica de estado,que dirija a de governo foi lançada pela primeira vez por Cesar Maia,mas eu tenho incrementado e insistido aqui.O parlamentarismo é defendido por muita gente há muito tempo no Brasil,mas eu tenho acrescentado algumas ideias,como a de equilibrar o plano geral do politico com as competências individuais.A esquerda e a direita se alimentam,aparece nos debates populares(menos eu),bem como a consigna de “ fora extremistas”que eu lancei.
É preciso ter lealdade intelectual,apanágio de toda democracia.

domingo, 25 de agosto de 2019

O Brasil está em perigo!

Levando em consideração os pródromos desta discussão nacional expostas por mim nos dois últimos artigos nós temos que pensar o Brasil distintamente dos partidos e dos governos e mais do que isto devemos tomar emprestado o juízo hipotético de Kant e trabalhar com a possibilidade destas queimadas terem sido induzidas pelo governo para provocar uma situação de descalabro na Amazônia e com isso justificar a intervenção das forças armadas,como ocorre agora.Isto é uma hipótese.Não tenho como provar isto,mas tenho direito de levantá-la,junto com Kant.Mas o fato é que com o governo Bolsonaro as queimadas aumentaram e isto gerou um ruído com o G8,que já está “discutindo” sobre o Brasil.O interesse do G8 é só nos tirar a Amazônia.
A minha interpretação destes fatos todos é a seguinte:o Brasil,que,como eu disse acima,ainda não é um país unificado,é como a Alemanha e a Itália no século XIX,um país por fazer e se insere,nesta qualidade,naquilo que Gramsci chamou de “ revolução passiva”.A unificação da Itália(e da Alemanha,digo eu)equivaleu,segundo Gramsci,a uma revolução,só que patrocinada e realizada pelas classes altas.
A oportunidade que as queimadas deram ao Presidente Bolsonaro de intervir é mais um ganho para a direita,para as classes altas e média ética do povo brasileiro, de defender e garantir,segundo o seu programa conservador,a soberania nacional.A esquerda perdeu de novo(a direita tá dando olé)e a possibilidade de uma revolução,de direita,passiva,se coloca claramente.
Muita gente me acusa de ser catastrofista ,principalmente nesta questão da Amazônia,mas como sou estudioso,recomendo a leitura de Jorge Caldeira e seu livro sobre o barão de Mauá para ver que as tentativas de tomar a Amazônia vêm desde o processo de independência,que começou em 1808 com a transmigração da família real portuguesa.Estou preparando um livro sobre esta questão.
Este ruído atual se insere neste processo longo,mas alguns elementos de seu contexto,que eu já ressaltei mais acima,lhe dão um significado diferente e mais perigoso para nós:como eu disse a crise com a Venezuela colocou as grandes potências em torno da Amazônia e os Estados Unidos,afinados até à promiscuidade com o governo Bolsonaro,saíram na frente,como “ garantidores” da soberania nacional,no que eu acho uma anedota de mau gosto,mas que é fato consumado.
Também me acusam de ser conspiracionista.Eu volto à hipótese acima:não tenho como provar se isto tudo foi de caso pensado,mas favoreceu o governo nos seus propósitos autoritários(para não dizer golpistas).Hoje,domingo,dia 25 de Agosto,o guru do Presidente afirma que Bolsonaro bate de frente demais com a midia e isto o enfraquece.Como não pensar que esta afirmação não encaixa bem no enfraquecimento do Presidente,que ,saindo,poria na cadeira presidencial um general?Que guru é este que atua contrariamente ao direito do Presidente de governar?Como não ser conspiracionista?O Presidente sempre foi um laranja.Por isto insisti tanto na campanha na improcedência de um vice militar reformado há tão pouco tempo.
O esquema fica claro:quem melhor para defender a amazônia do que um militar?O que impede,como eu já disse,a consecução deste projeto é a divisão entre os apoiadores do governo,as suas divisões internas.Só agora as pessoas estão percebendo o óbvio:que Moro é cria da Globo e não de Bolsonaro.A esquerda não impede o projeto não.A única coisa que diz é :”Lula Livre!”,por interesse partidário,exclusivista,mais importante do que o Brasil.Mamão com açúcar para a direita.O Brasil não é o Lula,o Brasil não é Bolsonaro,o Brasil é ele mesmo.

v

sexta-feira, 23 de agosto de 2019

É a civilização que define o mercado não o contrário

Uma das razões porque digo que a direita e o marxismo são iguais ou semelhantes é que ambos reduzem tudo à economia,ao mercado.
Engels ,uma vez,no Anti-Durinhg,defendeu Marx de economicismo,diante da acusação de um certo Mihailov.Hoje eu concordo com Mihailov:para além da economia e associados a ela estão valores,comportamentos que possuem uma influência sobre a economia,não notada por Marx.Quem primeiro identificou este fato em Marx foi o neo-hegeliano Benedeto Croce,criticando o marxista italiano Antonio Labriola.
Para Croce não haveria(e não há)relação entre ciência e axiologia.Marx,segundo ele,encontra uma justificativa axiológica na ciência econômica,na exploração.Mas Croce afirma que a ciência é uma coisa e a axiologia outra.As categorias econômicas não exploram,mas o homem,as relações sociais e politicas.Se as relaçõe sociais e politcas são ,em certo momento,econômicas poder-se-ia pensar que Marx tem razão,mas o que está dito aqui é que ,como em toda axiologia,há uma hierarquia,em que ela precede e comanda a dialética,a relação entre supsotos termos iguais.
Parafraseando Croce digo que o que faz a junção em Marx é a dialética.Se a economia,como tudo,obedece à dialética ela expressa em si,como ciência, o processo de desenvolvimento histórico em direção ao comunismo.Como não há dialética então a economia é uma coisa ,as decisões dos homens outra.Não é que não haja exploração,injustiças,mas são duas mediações diferentes.
De outro lado a ciência,como a ciência econômica,sendo um saber social,não é dissociado da sociedade,da nação,dos valores e até da psicologia,que,como vemos todos os dias, influenciam-na.
A afirmação de Engels de que a economia só em ultima instância explica a sociedade não adianta nada se não se reconhecer que a sociedade é tudo isto ,é cultura, e que esta toca a economia,não o contrário.
Assim sendo é a sociedade que orienta e define a economia.A civilização a define,não o contrário.
O liberalismo econômico e o marxismo erram ao querer moldar a nação pela economia,quando é o contrário.As soluções da economia começam quando a nação se entende,quando os atores sociais são homogêneos e sabem o que querem.
Por isto tenho um grande respeito pela figura politica e profissional de Itamar Franco que submeteu a questão da inflação a um critério nacional e politico,que,afinal,acabou por diminuí-la.
Aqueles que leram o meu artigo “O que é o Brasil”,se lembram deste esquema abaixo:

Nele eu colocava em circulos e intersecções,resumidamente ,o que penso ser o Brasil.Agora posso complementar e acabar com este diagrama.



Só que desta vez um circulo cobre estes circulos e intersecções e se chama república/nação/sociedade.
A economia é apenas um pequeno pedaço do processo social todo.A harmonização democrática e consensual dos setores da sociedade,representados nos circulos interiores,é que serve de base para a solução dos problemas econômicos.


Quem manda no Brasil e na Amazônia é brasileiro,não estrangeiro

Agora um “ novo” cavalo de batalha aparece no Brasil:as queimadas na Amazônia.
Antes de continuar este artigo quero colocar os meus critérios éticos e metodológicos mais uma vez:o meu lema é o do Boppe,eu entro para matar e não para morrer.Eu não faço acusações sem prova,eu discuto conceitos que transcendam aos problemas imediatos(que é a função de todo transcendente).Afirmar coisas sem prova é morrer e não matar.Por isto discuto conceitos.
Queimada sempre houve na Amazônia,mas parece ter crescido com o governo Bolsonaro.Parece.Não tenho prova para atribuir ao governo esta responsabilidade,mas não me interessa isto.O que me interessa é o conceito:a Amazônia é do Brasil e como tenho dito há anos me preocupa(junto com Brizola)a presença de estrangeiros cuidando da Amazônia.Na hora H se o Brasil,no entender deles,não for capaz de cuidar de si mesmo,não há garantia de que estes países não apóiem os Estados Unidos na exigência de um mandato sobre a região.
A postura do Presidente Bolsonaro na condução do problema da Venezuela colocou as grandes potências,principalmente os Estados Unidos,no plano imediato do problema da Amazônia,mas com a cereja do bolo,a Rússia,que apóia a Venezuela.Foi uma postura entreguista .Os apoiadores de Bolsonaro insistem em dizer que ele representa integralmente o Brasil e que tirou o Brasil da guerra-fria porque ataca os comunistas,mas é exatamente o oposto:a sua radicalização(de direita) favoreceu o mesmo tipo de problema geopolitico da guerra-fria.Ele manteve o Brasil na guerra-fria tanto quanto Dilma.E mais,o Brasil,que possui intenções separatistas fortes,como já denunciei,no seu interior,ficou exposto à sanha das grandes potências.Nós que somos tradicionalmente neutros,como a Suécia,estamos entrando no concerto europeu totalmente desprotegidos,por causa do governo.
O presidente Getúlio afirmou certa vez,a respeito das riquezas minerais do Brasil e do solo,que se o país não fosse capaz de controlá-las(-lo)as(o)perderia para o estrangeiro.Osny Duarte Pereira fez uma intensa pesquisa sobre o ferro brasileiro para dar suporte ao presidente nesta área.
Então temos que ter escrúpulo e não analisar o Brasil partidariamente,dentro da polarização esquerda e direita.Quando eu era comunista separava bem o problema da Invasão do Afeganistão do caráter comunista do estado soviético,porque ,por trás disto havia a geopolitica da pressão sobre a Rússia,sobre o país,que subsistia,sobre o povo, e que ficaria exposto também.E no final foi a guerra(Real Politik) do Afeganistão que gerou Osama Bin Laden,que estava lá,apoiado pelos Estados Unidos.
Quem me lê deve ter a noção da complexidade dos problemas politicos e geopoliticos:não são simples não.Falo sobre estas coisas e jumentos aí vêm com estas besteiras “ ah você apóia Bolsonaro”,”Ah você é comunista”.Defender o Brasil não é coisa de comunista.Isto é invenção da direita para justificar ditadura(com ajuda dos radicais de esquerda).E quem manda no Brasil e na Amazônia é brasileiro,não estrangeiro.Este internacionalismo da esquerda,velho e ultrapassado,favorece a direita,que é internacionalista também ,favorecendo a G-8.


Agora um “ novo” cavalo de batalha aparece no Brasil:as queimadas na Amazônia.
Antes de continuar este artigo quero colocar os meus critérios éticos e metodológicos mais uma vez:o meu lema é o do Boppe,eu entro para matar e não para morrer.Eu não faço acusações sem prova,eu discuto conceitos que transcendam aos problemas imediatos(que é a função de todo transcendente).Afirmar coisas sem prova é morrer e não matar.Por isto discuto conceitos.
Queimada sempre houve na Amazônia,mas parece ter crescido com o governo Bolsonaro.Parece.Não tenho prova para atribuir ao governo esta responsabilidade,mas não me interessa isto.O que me interessa é o conceito:a Amazônia é do Brasil e como tenho dito há anos me preocupa(junto com Brizola)a presença de estrangeiros cuidando da Amazônia.Na hora H se o Brasil,no entender deles,não for capaz de cuidar de si mesmo,não há garantia de que estes países não apóiem os Estados Unidos na exigência de um mandato sobre a região.
A postura do Presidente Bolsonaro na condução do problema da Venezuela colocou as grandes potências,principalmente os Estados Unidos,no plano imediato do problema da Amazônia,mas com a cereja do bolo,a Rússia,que apóia a Venezuela.Foi uma postura entreguista .Os apoiadores de Bolsonaro insistem em dizer que ele representa integralmente o Brasil e que tirou o Brasil da guerra-fria porque ataca os comunistas,mas é exatamente o oposto:a sua radicalização(de direita) favoreceu o mesmo tipo de problema geopolitico da guerra-fria.Ele manteve o Brasil na guerra-fria tanto quanto Dilma.E mais,o Brasil,que possui intenções separatistas fortes,como já denunciei,no seu interior,ficou exposto à sanha das grandes potências.Nós que somos tradicionalmente neutros,como a Suécia,estamos entrando no concerto europeu totalmente desprotegidos,por causa do governo.
O presidente Getúlio afirmou certa vez,a respeito das riquezas minerais do Brasil e do solo,que se o país não fosse capaz de controlá-las(-lo)as(o)perderia para o estrangeiro.Osny Duarte Pereira fez uma intensa pesquisa sobre o ferro brasileiro para dar suporte ao presidente nesta área.
Então temos que ter escrúpulo e não analisar o Brasil partidariamente,dentro da polarização esquerda e direita.Quando eu era comunista separava bem o problema da Invasão do Afeganistão do caráter comunista do estado soviético,porque ,por trás disto havia a geopolitica da pressão sobre a Rússia,sobre o país,que subsistia,sobre o povo, e que ficaria exposto também.E no final foi a guerra(Real Politik) do Afeganistão que gerou Osama Bin Laden,que estava lá,apoiado pelos Estados Unidos.
Quem me lê deve ter a noção da complexidade dos problemas politicos e geopoliticos:não são simples não.Falo sobre estas coisas e jumentos aí vêm com estas besteiras “ ah você apóia Bolsonaro”,”Ah você é comunista”.Defender o Brasil não é coisa de comunista.Isto é invenção da direita para justificar ditadura(com ajuda dos radicais de esquerda).E quem manda no Brasil e na Amazônia é brasileiro,não estrangeiro.Este internacionalismo da esquerda,velho e ultrapassado,favorece a direita,que é internacionalista também ,favorecendo o G-8.

domingo, 18 de agosto de 2019

À propósito da “Mei” afirmar o capital

Um dos cavalos de batalha da esquerda velha do Brasil é a microempresa individual.Para ela a Mei “ afirma o capital”.
Vamos por partes:a esquerda precisa entender que Marx condicionava o surgimento do comunismo à quebra das barreiras tributárias e institucionais da Idade Média.O comunismo nascia dos intersticios do capitalismo na medida em que este quebrava estes entraves à produção capitalista,modo-de-produção mais afluente da História.
Ora ,diante desta premissa não há contradição entre esta capacidade produtiva e a produtividade,esperada,no e do comunismo.É uma mudança de grau,que dentro da dialética materialista,implicaria numa mudança qualitativa.
Naturalmente estas questões não têm importância agora aqui.Eu falo isto para mostrar como no desenvolvimento do marxismo estas noções foram esquecidas e como este movimento se tornou mais uma religião do que uma concepção teórica e científica.
Não se trata de reunir as pessoas em torno da esquerda,dentro de uma perspectiva de classe,de uma classe produtiva em detrimento de outras.Trata-se de compreender o real,as mudanças que o tempo apresenta e dar uma reposta compreensiva necessária aos problemas que nos atingem.
Todo mundo sabe que eu defendo que a mediação transformadora do movimento social é a nação,a unidade cultural e de cidadania.Neste sentido a postura do militante de esquerda deve ser diferente daquela que veio de Marx e de Lênin.Ele deve saber em que momento a nação e o povo têm que ser respeitados apesar das dissensões que ela tem com um eventual governo,como este,de direita,no Brasil atual.
É claro que existe por parte desta direita uma intenção golpista.Ela usa a nação para atingir este fim.Vários fatos têm apontado para isto:crises de governo artificialmente criadas;choques e ruídos entre governo e ministros,que são substituídos progressivamente por militares.
Mas nos últimos dias um outro fato demonstrou um significado mais complexo ,que deveria ter sido percebido pela esquerda:a medida provisória chamada de “mp da liberdade”.Esta medida amplifica as possibilidades da lei da microempresa individual,cuja lei não foi feita pela direita,mas pelo PT.Assim como Bolsonaro amplificou o bolsa família instituindo o seu 13o salário,agora realiza algo inserido na lei da Mei:diminuir as barreiras capitalistas,que favorecem o comunismo!Estas decisões são nacionais,não são só de classe.
É evidente que esta flexibilização capitalista que já vem sendo implantada no Brasil,como nos países centrais,tem como objetivo pulverizar a organização dos trabalhadores,dos sindicatos.No passado foi assim,no periodo em que Marx localizou como a da chamada “ acumulação primitiva do capital” e ,como numa gangorra,acontece de tempos em tempos e mesmo o tempo todo nos países capitalistas,principalmente os mais atrasados,como o Brasil,em que a rotatividade da mãode-obra é constante.Os trabalhadores ficam à mercê do mercado,pensando que isto os libera,os torna mais livres,mas perdendo a necessária proteção sindical que corrige as irracionalidades do capitalismo(desemprego).Já está mais do que provado que a pura hegemonia do mercado evita o desemprego.Há uma dinamização,mas a longo prazo os problemas continuarão.Não é coisa de comunista.
Mas a atitude da esquerda não é simplesmente atacar o governo,mas entender que ,eventualmente,o seu ataque pode prejudicar o povo e mesmo os trabalhadores.
Continua a direita dando olé na esquerda.A direita sabe que a esquerda vai agir egoisticamente e oferece soluções para a enorme crise de desemprego criada pelo governo Lula/Dilma,esperando a óbvia recusa de interação com a oposição,que já está muito chinfrim.Como a oposição de esquerda não pensa na nação e só nas vanguardas sindicais,a direita vai passar por cima...de nada.
Assim a esquerda fica entre aceitar o governo ou se colocar contra o povo,entre a cruz e a caldeirinha.Do nada ela vai ao nada (e volta).
Nos anos anteriores quantas vezes eu disse que era melhor a esquerda reconhecer a derrota e se modificar,se atualizar?A insistência em confrontação subjetiva e vazia,usando o slogan “ Lula livre” está pondo em risco a integridade do ex-presidente inclusive.
Ninguém se iluda de que este slogan é mais essencial para os que o cercam do que para ele.Se Lula desaparecer politicamente esta entourage vai também.É o fracasso do sindicalismo de vanguarda tradicional que está na base do “ Lula livre”.Mas eu disse há muitos anos que Lula não tem condições teóricas de orientar uma renovação de seu partido e os dois estão,a passos largos,agonizando.
O próprio PT,portanto,sem entender a politica em sua complexidade,acaba por se voltar contra a sua obra,preferindo a personalidade,no lugar do programa.
A MP da liberdade afirma o capitalismo até certo ponto e a esquerda deveria atuar no sentido de evitar o desbaratamento da organização mas aceitar aquilo que ela mesmo começou.
E o pior é que os erros não são só do PT ,mas de seus apoiadores.O Psol que lançou esta consigna de “ a microempresa afirma o capitalismo”apóia o PT, o solapando pelas costas,numa repetição do receituário estratégico politico leninista que todo radical decora:apoiar a revolução burguesa para depois pular em cima dela e fazer a “ verdadeira” revolução,comunista.
Ocorre,que nas distorções históricas citadas acima aparece aquela confusão entre a teoria e religião:não é o caso de favorecer o capitalismo na sua capacidade produtiva,mas de apostar na crise,no quanto pior melhor,para (seguindo Lênin),se aproveitando dela ,tomar o poder.
A esquerda votou contra esta MP(Jandira Feghali,Alessandro Molon)ou se omitiu(Freixo)perdendo a oportunidade de obter uma vantagem moral ajudando o Brasil e seus desempregados e a oportunidade de começar a reformular seus conceitos e erros ultrapassados.
Era o caso de propor uma forma de controle dos sindicatos e não simplesmente virar as costas.