domingo, 21 de janeiro de 2018

Lula e canudos



Quando  Kant escreveu “ O Conflito das faculdades” que eu já comentei nos meus blogs,ele mostrou que as posturas radicais sempre buscam,como as sociedades primitivas, uma base no passado,nas gerações do passado.
As revoluções,as idéias milenaristas e as posições de classe são primitivas porque não se fundam no conhecimento do real,do presente ,e quando não têm nada a dizer vão ao passado para encontrar um motivo para seu voluntarismo salvacionista.
Hannah Arendt ,em seu  “ Da revolução” também se refere a isto.As revoluções políticas buscam estes exemplos passados já que não têm um programa fixo.Assim foi com a Revolução Francesa que foi à república Romana ,analisada no texto citado,por Kant.
Sempre tive vontade de perguntar a Marx se ele apoiaria a revolução russa ,mas este segredo está na eternidade.Também sempre quis perguntar a José Marti se concordaria com Fidel Castro.Não perguntaria a Cícero ou César porque sei a resposta deles.
Mas o ex-Presidente Lula sabe que ele tem a ver com Canudos e sabe que  um dos seus juízes ,na próxima quarta-feira tem a ver com os opressores ,” de sempre do Brasil”,porque é parente distante de um general de 1897.
Esta afirmação é primitiva porque supõe que existe uma relação de sangue entre o juiz e seu antepassado repressor de Canudos.Mas é claro que os comunistas do PT o ensinaram a colocar um véu sobre este relação de sangue ,transmudando-a em  relação social de exploração.
Lula é o faminto como o integrante de Canudos,reprimido pelas classes altas que continuam o seu trabalho,ora no exército,ora no judiciário.
Lula foi o faminto,hoje ele é como a classe média que tanto usa para propósitos eleitorais.Ele se elevou,não tanto pelo seu trabalho,mas pela política, a esta condição.
Quantas pessoas de classe média hoje tiveram um origem igual e chegaram a esta situação de classe?Qual é a diferença entre um ex-bóia-fria que chegou lá e um outro integrante da classe média que veio de lá ,para representar o proletariado nacional,ou o miserável nacional?E quem sempre foi de classe média?Será que Lula leu  os erros de Lukács?Basta ser objetivamente de classe para se comprometer necessariamente  com ela?Será que ele acredita que o bem do proletariado é o da classe média e o bem desta última é o mal  dos miseráveis?E a burguesia,com quem ele se entende tão bem?Esta não tem responsabilidades não?Os bancos?
Machado de Assis perguntou ao Brasil na época de Canudos?Alguém já foi lá arraial para saber se há uma conspiração monarquista?E hoje:alguém em Canudos poderia dizer que é igual a Lula?
O ex-presidente deveria ver como que ficaram os seus amigos da greve do ABC de 1978.

sábado, 20 de janeiro de 2018

Esclarecimentos sobre meu artigo a respeito de Mussolini e o Papa



Eu tenho tido sempre a necessidade de esclarecer aos leitores aquilo que digo.tenho que examinar este problema.
Eu não deixei de criticar a figura de Mussolini,um rematado oportunista.O que eu disse é que ele se colocava diante o problema nacional e encontrava a unidade da sua ação(não do pensamento)nisto.
Em Hitler e Stalin todo o arcabouço ideológico de ação era uma justificativa para impor uma determinada lógica ao mundo,que,no final,não se efetivaria senão pela força,já que não há adequação entre este modelo ideológico e a realidade.
O discurso de Hitler é só justificador de violência contra quem está  fora de seu modelo; e Stálin,outro totalitário, dizia:”a filosofia propõe e a política dispõe”,mas sempre os imperativos desta última,em última análise, é que predominam.Na verdade ele dizia que a filosofia devia justificar as exigências da( sua)política.
No caso do Papa João Paulo II a questão é a mesma,com algumas nuances:o cristianismo ensina que o mundo real  é o da Igreja,o tempo de deus ,cuja graça há que ser buscada por sua intersecção.Contudo quando o mundo fora da igreja a invade e estas duas esferas estão embaralhadas ,naturalmente pelo processo político,a sua liderança tem que ir até ele.
Este é um problema freqüente do cristianismo católico,ao mesmo tempo poder de estado e crença.A crença está na base e na destinação,mas o mundo tem que se afinar com este projeto.
Eu já disse,com relação ao atual Papa,que já chegou o momento de aceitar como inevitável aquilo que é secular,temporal e  articular  estes dois momentos,porque os graves distúrbios que ocorrem na Igreja,pedofilia,corrupção,não serão solucionados,a meu ver ,se assim  não se fizer.
Então o mundo real,do cotidiano,clama atenção definitiva e eu,como cidadão/trabalhador já me coloco nesta perspectiva
                                              

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A fala de Dilma



A última(mas não a última lamentavelmente)fala de Dilma em não sei quê evento do PT,mostra que a minha esperança de grandeza por parte das hostes petistas,exposta no artigo anterior,é fugaz.
A ingovernabilidade prometida,caso Lula não seja eleito,indica mais problemas para o próximo presidente,que eu queria,no espírito de respeito ao país,estivesse livre deste passado incruado que nós estamos vivendo e que não  vai ser passado,como tudo aponta.A crise não vai passar.
Eu fiz também há dois artigos atrás uma análise da questão dos governos,sempre dentro da minha premissa parlamentarista.
Em sociedades estáveis,é natural que os partidos tenham o direito ,pouco humilde ,de defender  o seu programa como solução geral.Quando a sociedade entra em crise ou está no fio da navalha para chegar a ela,é exigível que todos abandonem os seus projetos para se unir.
Ainda assim,no caminho normal das democracias,a atividade política deve ser continuamente preocupada com a nação.
Contudo,o Brasil,como eu já falei,está constantemente no fio da navalha e não tem há muitos anos política de estado.
Eu não gosto muito de César Maia ,mas ele disse uma vez,numa comissão do Senado,que o problema da segurança nas grandes cidades é que não havia ( e não há)política de estado,um programa que una as forças políticas e que oriente os  vários governos.
Para resolver,digo eu,agora,o problema da violência no Rio de Janeiro,será necessário algo assim e teremos que esperar por resultados por pelo menos dez anos.Se as forças políticas tiverem a compreensão de que mais importante do que o interesse pessoal,é o país.
Na conjuntura em que estamos, estas descontinuidades tendem a crescer e ninguém colabora só acrescenta mais pimenta no pirão.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Francamente FHC



Francamente,eu,como articulista e pesquisador já sou lido por muita gente,mas eu não esperava que o ex-presidente FHC me lesse.
Também não tenho certeza,mas não há como negar que parece.No último artigo as análises conjunturais do ex-presidente são muito parecidas com as que eu fiz aqui,especialmente comparando Bolsonaro a Trump,mas a questão é esta mesmo:em situações de incerteza pessoas como Bolsonaro(e Trump)assumem um papel decisivo,porque é racional que as pessoas procurem alternativas diretas.
Discursos complexos em períodos como o nosso,confundem o povo brasileiro,que não é não-esclarecido(principalmente o nordeste[como diz FHC[eu já demonstrei discordância}]),mas que muito justamente desconfiado desta categoria profissional,os políticos(por razões óbvias)e sobrecarregado por uma crise sem precedentes de desemprego,que açula ainda mais as suas dificuldades  ,não consegue arranjar tempo para se preocupar com os governos.
Aliás não devia se preocupar porque nós vivemos num regime representativo republicano,que delega tarefas a outrem,as quais ninguém de direito(políticos) cumpre.
Mas esta situação bizarra,de servir para análises dos outros,sem ser citado,enseja mais uma oportunidade para colocar algumas premissas da minha atividade de pesquisador e escritor aqui:eu não sou professor com mestrado e doutorado,mas não ligo a mínima para isto.Eu tenho 40 anos de estudos,práticas(comprováveis)que me dão a condição de ser independente ,de pensar pela minha própria cabeça.
No entanto isto não significa que eu aja aqui em nome pessoal,mas como cidadão.Trabalhador e cidadão,que tem também uma vida pública,eleitor,de pagador de impostos e que não vê retorno nas suas atitudes públicas e políticas.Eu estou fazendo política aqui.
Porque eu digo tudo isto?Porque se justifica a não citação do meu trabalho porque eu não tenho mestrado ou doutorado,mas eu não entendo ser isto um impeditivo.Nos dez anos em que eu tentei ser Mestre ou Doutor eu só vi as piores coisas do mundo e decidi não procurar mais esta legitimação,mas enfrentar a discussão com base na minha experiência,mas eu acho o fim usar as minhas análises e não citá-las.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Lula,Pense no Brasil



Independentemente da decisão dos tribunais no dia 24 próximo,faço um apelo ao ex-presidente Lula,para que ,em nome do Brasil,abandone o projeto de voltar ao poder.
Vamos respeitar o princípio da alternância do poder,que vivifica o país,dando oportunidades a novas pessoas de mostrar o seu valor e se colocar numa eventualidade a serviço do país.
Todo mundo sabe que eu sou francamente parlamentarista,mas um tipo de parlamentarismo me chamou sempre muito a atenção:o inglês.Por um detalhe especifico,que é o de possuir uma parte da Câmara Alta(mutatis mutandi equivalente ao nosso Senado)constituída de lordes,normalmente idosos,que,sem poder de voto,serve de órgão consultivo da rainha e do país.
Um primeiro ministro,ou um ex-presidente,poderiam integrar uma câmara deste tipo,que seria um incentivo geral ao país,no sentido de respeitar as pessoas idosas,com uma vida de serviços prestados.Esta atividade diminuiria para todos,a angústia da aposentadoria.
Não raro um Presidente sai do poder   relativamente jovem e com muita experiência e possibilidades de contribuição.E inseridos como estão nos partidos,eles acabam por os usar indiretamente para influir,sem ser eleitos.Ou,de outro lado,são esquecidos por estes mesmos partidos  e sofrem um isolamento que tentam superar de diversas maneiras canhestras,que se revelam freqüentemente inócuas.
No caso de Lula ainda há um problema adicional,que eu tenho ressaltado aqui:o viés salvacionista,que se depreende da visão do filme sobre uma de suas campanhas,que passou nos cinemas há alguns anos.
Nele,Lula chega a uma apoteose de auto-elogio digna dos antigos burocratas da antiga URSS.Na verdade ele está bem inserido no salvacionismo brasileiro,ibérico português,que é sempre a solução de quem não tem compreensão real dos problemas e por isso não tem propostas e programa,tudo o que o Brasil precisa hoje e que o PT e Lula não têm mais.
A tarefa de Lula,como eu já disse,é refazer o Partido,mas com esta mentalidade começo a duvidar de  que  ele tenha esta condição de fazer ou o queira(por causa disto).
O PT e Lula não introjetaram a derrota,não a aceitaram e estão com um espírito de vingança que geralmente prejudica qualquer projeto e no caso de uma chegada à presidência da república este prejuízo é do país também,porque não temos como duvidar do fato de que ,além da vacuidade programática citada,a vitória do PT e do Lula,significará a volta de um processo de corrupção extremamente grave e deletério para O Brasil,pelo quê eu apelo a Lula para que,como Eurico Miranda,que renunciou à presidência do Vasco em nome do clube,que o faça em relação ao Brasil,que não pode ficar refém de uma pessoa.