quarta-feira, 20 de junho de 2018

aviso aos jornalistas


Tenho percebido que muitas das minhas idéias têm sido usadas por vocês.Não há expressão econômica,mas exigência moral de citar o meu nome.No fantástico último teve uma matéria sobre Freud que foi nitidamente inspirada no meu trabalho.Me citem,qual é?

domingo, 17 de junho de 2018

Trump e Kim:eu disse


Eu disse que cão que ladra não morde.Tudo era xixica.Trump e Kim se encontram para fazer um acordo,que precede ,no mínimo,uma transição no regime stalinista da Coréia.Era tudo pura e simplesmente uma maneira de iniciar o diálogo  sem demonstrar fraqueza.O que convenhamos não adianta nada,porque a fraqueza do regime norte-coreano é total,em todos os sentidos e vai ter um peso no processo de paz.
Contudo este peso se submete aos interesses geopolíticos dos estados unidos.Este país tem todo o interesse em acabar com mais um regime comunista,mas existe a possibilidade de uma crise humanitária que a China quer evitar(porque ela seria a mais atingida),qual seja a migração de milhões de pessoas,famintas e sem roupa.
De outro lado há o problema das famílias divididas.Com um processo de paz seria fácil de resolver isto.Mas a intercambiação de pessoas,principalmente vindas do norte acabaria por desestabilizar o regime,já que estas pessoas vão querer permanecer com seus parentes no sul e as noticias do progresso da Coréia do Sul induzirão a todos a sair.
Para Kim é melhorar o regime,talvez num sentido Chinês de concessões e adiar a transição.Para Trump,efetivar o desejo de por um fim no problema sem causar os transtornos esperados.É um xadrez complexo e difícil  de resolver,mas o traçado é este:ajudar a Coréia do Norte a se estabilizar economicamente,com a ajuda dos EUA e depois forçá-la a uma transição pura e simples ao capitalismo.A China deixaria?
Uma Coréia unificada ,capitalista, seria uma ameaça à China,que só tem uma alternativa,que é exportar o seu modelo para os norte-coreanos e evitar a presença hegemônica dos EUA.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

O futebol:minha narrativa


O futebol,que está em voga mais ainda com a copa do mundo na minha santa Rússia ,é um paradigma da humanidade e da possibilidade de reunir  em si mesmo tudo que é essencial na vida humana.
Todos dizem que o futebol arrasta multidões(apesar de tudo)por sua imprevisibilidade.Isto é uma meia-verdade,por dois ângulos:não é só por isso e também porque ele  tem uma imprevisibilidade relativa como a ciência moderna em geral demonstra ser o mundo.
Costuma-se fazer um distinção entre a ciência e os mitos,mas o futebol desmente esta separação.Os antigos deuses  faziam o que queriam,mas dentro de certos propósitos,de certos objetivos.Assim acontece com o futebol:há uma previsibilidade,mas sempre a possibilidade,não raro,do acaso.Há sempre um momento em que a vontade dos mitos prevalece por sobre a racionalidade esperada da prática esportiva do futebol.O acaso e o imponderável.Então o futebol une a verdade da probabilística como base das teorias,mas antes de Einstein e da física quântica ele já tinha feito esta prova.Faltava a  sua universalização ,com o futebol.
Do primeiro ângulo podemos ver  a pluralidade de sentidos presente nos estádios e partidas:é ciência pelos motivos supraditos e arte por conter infinitas narrativas de pessoas comuns,cuja memória   guardam para si  ou os seus próximos.
Os estádios são teatro,com as mesmas características do passado,exceto porque é feito por pessoas comuns ,que constroem lá estas narrativas que participam da formação do sujeito individual e do coletivo.
Há muitos anos atrás,face a uma polêmica sobre o papel do futebol (e dos estádios)para a compreensão do Brasil eu concordei com aqueles que não o viam como a mediação decisiva deste entendimento,pois o Brasil foi em grande parte explicado por seus pensadores,mas afirmei que no cotidiano a instância mais universal pela qual o brasileiro conceituava era ela,ao lado da relação com o parceiro e o motorista de táxi.Repito isto agora.
Eu entrei no maracanã, a primeira vez,pensando ser torcedor do Flamengo,em 1970,num jogo entre Flamengo e Santos.Foi a única vez que vi Pelé jogar.
Mas como tricolor foi com meu pai stalinista,na decisão do campeonato carioca de 1972,entre Flamengo e Fluminense.
Link do jogo de 1972
 https://www.youtube.com/watch?v=sdwYJTh2Vs0
Lembro-me de muito pouca coisa.Eu me tornei tricolor no dia em que o Fluminense ganhou o campeonato carioca de 1971,com o gol de Lula(legítimo).
link do jogo de 1971
 https://www.youtube.com/watch?v=PT_UhDM-GJ8

De 1970 até este dia,eu adorava as atitudes futebolísticas(narrativa)de Lula,o irreverente.Todo boleiro sabe que o que forma o torcedor,na sua decisão de permanecer a vida toda como tal,é o ídolo e o meu é este  irreverente jogador,que uma vez jogou a bola em José Marçal Filho ,que perdeu o seu apito no meio do gramado do maracanã.Lula foi expulso.Eu rolava de rir e de admiração.Quando Lula fez o gol eu tomei a decisão.
Mas esta decisão começou a me formar como ser humano,porque aí eu comecei a fazer as minhas escolhas,contra a opinião de meu pai que não gostava ,diferentemente de mim,da torcida e me levava para o alto do maracanã,na terra de ninguém.Nos anos subseqüentes fui ganhando a confiança dele e nos estabelecemos em definitivo perto dos túneis,vendo os jogadores entrarem e os torcedores conceituarem,exigindo dos gladiadores competência e  empenho.
No final da Taça Guanabara de 1975 me vinguei das reclamações de papai,que queria voltar à zona mista,mostrando-lhe uma briga que rolou antes do jogo se iniciar.Isto sem falar na final de 1973,Fla-Flu de novo,em que eu e meu irmão estávamos com ele e rolou uma briga que quase nos separou para sempre.
Meu pai foi obrigado em casa a levar o meu irmão Flamenguista,que se sentia diminuído e inferiorizado por não ir.Mas por causa do conflito ele nunca mais foi,para contrariedade de minha mãe.
Como se vê a narrativa de cada pessoa a ajuda a se entender e a se formar.Neste período  eu fui dos 8 anos para os 13  e a marca do significado do futebol ficou indelével  para mim(como num pensamento kantiano)na minha consciência de brasileiro.
entrevista de Lula
 https://www.youtube.com/watch?v=YjUIWKAm0p4

sábado, 2 de junho de 2018

Temer e Ceausescu(e Hitler e Mussolini...)



Na semana que passou Temer usou as seguintes palavras:é preciso que todos trabalhem e apóiem o governo porque apoiar o governo é apoiar o Brasil.Esta afirmação é aparentemente lógica.Mas se as analisarmos com cuidado,veremos que não.
O princípio de que apoiar um governo é apoiar o país só é válido enquanto ele é salvaguarda da nação,do princípio coletivo e espiritual nacional.Todos os governos o são.Pelo menos aqueles que têm esta consciência ,não se colocando  numa posição de identidade com ela.Isto não é possível e legítimo em sociedade nenhuma.
Não é possível porque a sociedade é inevitavelmente plural e não é legítimo porque esta admissão de pluralidade é obrigatória para as sociedades democráticas.As sociedades não democráticas buscam deslegitimar estes princípios ,mas elas não se enquadram mesmo.
A fala do Presidente rompe com estes limites e apresenta uma insidiosa situação de perigo,que é a única causa admissível,momentânea(desde priscas eras)para se fazer esta identificação governo/nação(governo/povo),através de um mecanismo político de defesa(estado de sitio,ditadura,etc.).Todo perigo é uma ameaça ,que exige,supostamente,uma outra,igual e contrária(como na lei da física).
A ameaça de Temer é para que a instabilidade acabe e que não hajam mais greves.Em que medida podemos acreditar que estamos seguros quanto a isto?Não há nenhuma segurança,muito pelo contrário.
Temer tinha a obrigação de desbastar o caminho para deixar o próximo Presidente  tranqüilo para iniciar o seu governo sem a necessidade de resolver pendências passadas e eu já achava que isto não era factível,mas piorou.Tudo o que é ruim pode piorar.
Quando eu era comunista gozava Hitler e Mussolini por dizerem que a nação,o povo  e eles eram uma só coisa.Hess diz no filme de Leni Riefensthal “ O triunfo da Vontade”:” o Partido é Hitler como Hitler é a Alemanha”.Mussolini(como Napoleão)afirmava ser a Itália.Mas depois descobri que Ceausesco(“ do meu lado”) repetia estas baboseiras e  meus ex-companheiros(camaradas)dizíamos:chochesco é o partido,chochesco é o país,chochesco é o povo,ih.. se chochesco morrer morremos todos.
Temer é Chochesco.O nosso chochesco.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Momentum crucis


No inicio da ciência moderna falava-se que uma hipótese era provada num experimentum crucis .Foi assim com Newton,Galileu na Torre de Pisa e Torricelli com o experimento de Magdeburg,que provou o vácuo.
Como tenho dito aqui o paradigma da ciência natural não serve para o estudo da sociedade.Não há uma indução semelhante (há algumas tentativas)que prove uma hipótese,mas apenas a descrição dos fatos sociais em busca de um sentido.
Toda a conjuntura que o Brasil vive hoje é a de um golpe de estado.As condições estão dadas aí.No artigo anterior eu criei uma hipótese de quando seria o melhor momento para dar este golpe,no afã,democrático,de evitá-lo.Chamei este momento,agora,de  momentum crucis
Em volta deste momento muitas variáveis e problemas são observáveis:a posição de Temer;o dos caminhoneiros;de Bolsonnaro e do povo brasileiro,que bateu panela contra Temer.
O fato de Temer ter recuado no domingo à noite não prova que ele não esteja no golpe.O golpe intentado teria condições de ser dado se o Brasil estivesse no caos,criado por uma eventual renitência do Presidente.Dizer que ele enfraqueceu por aceitar as exigências do sindicato não prova também que ele o esteja.Entenda bem o leitor:o que se deve garantir é o esquema conservador trazido para o proscênio por Lula/Dilma.
Não importam os nomes,importa o esquema,o programa conservador.Pode ser o Temer,pode ser o Moro,pode ser qualquer um,desde que a máquina conservadora do PMDB continue dando as cartas.Isto significa que o recuo de Temer pode não ter sido senão uma jogada para ,num momento(crucis?)ulterior exigir o seu poder de fato,num aprofundamento autoritário,junto com os militares,que estão falando o tempo todo,ora defendendo a  democracia,ora tecendo loas a 64.
A posição dos caminhoneiros se mede pela relação duvidosa com   supostos infiltrados.É oportunismo da esquerda,principalmente do PSOL,ficar do lado deles,porque é evidente que eles estão no esquema provocativo.A presença dos patrões é um sinal de participação da burguesia.E o momento de fazer isto,com intervenção federal,que pode se tornar militar,não é fortuito,mas fruto de uma escolha,convenhamos.
Bolsonnaro é só a bucha do canhão,só a centelha,mas como o Brasil já elegeu azarões ou bizarros como Collor,Jânio e Dilma,não o descarto na disputa presidencial,depois,inclusive,da sua chegada no aeroporto.
O povo brasileiro precisa ser analisado com calma.Que extrato de classe bateu panela?Foi a classe média?Se o foi é um fato positivo,porque se prova que a classe média está mais afeita ao Brasil do que a um suposto seu representante,do PMDB,considerado sempre um partido de classe média(desde os tempos de Ulysses).
Mas se for uma representação média do povo em geral também é positivo porque  isto demonstra um grau de conscientização,nos termos agora ditos.Mas seria melhor ser esta média,porque  o povo,como um todo,estaria disposto a lutar contra um possível golpe.
O  momentum crucis era esta semana,se Temer não tivesse recuado.Mas outros momentos vão aparecer se outras confrontações e provocações continuarem,como a greve dos petroleiros,aparentemente adiada,mas que não perdeu o seu “ valor” de ameaça.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Já está ficando chato


Eu pretendo me referir aos problemas  políticos nacionais,pela  última vez,pelo menos por enquanto.Já não agüento mais repetir os mesmos vaticínios de golpe.Também estou me envelhecendo demasiado alegando já ter visto este filme antes.
Agora com este Lokhout mais um ingrediente clássico para dar o golpe é usado para engrossar o pirão.O que eu posso dizer?As teorias clássicas da Ciência Política,indicam que  se está produzindo um processo paulatino de crise, de modo a justificar o emprego da força.que aliás já ocorre,para desmontar os bloqueios.
Pode-se dizer que ainda não se verifica uma articulação real,consistente ,para fazer o golpe.Quero dizer não há já um gabinete de crise que o prepare,mas não me venham dizer que já não há intervenção do governo conservador de Trump nos Estados Unidos.Isto, a meu ver,prova que há a intenção autoritária.pelo menos já há uma recepção no Brasil para tanto e os políticos profissionais já jogam conscientemente com esta possibilidade.Falta  criar uma homogeneidade de interesses e uma via rápida e imediata de sua realização.Dentro da evidente característica processual que se põe diante de nossos olhos não haverá propriamente um cataclismo desencadeador do fato,o que torna a nossa época muito parecida com 1937 e com a ascensão de Salazar em Portugal:o processo será natural e pacífico,mas inevitável.
O falecido Hélio Jaguaribe,em seu livro de História critica acertadamente as concepções de “ filosofia da história”,inclusive o marxismo,dizendo que a História é conseqüencial  e eu acrescento que a História é tempo qualificado.Em qualquer definição não se pode prever exatamente o que vai acontecer no próximo passo,existindo sempre uma possibilidade de se modificar algo esperado.Lógico que quando as circunstâncias determinantes se avolumam o fato seguinte é inevitável e inarredável,mas nós estamos em um momento prévio e ainda há como evitar o pior.
Se nós defendêssemos o golpe,qual seria o melhor momento para dá-lo?Faço esta pergunta porque se as coisas continuarem assim o momento vai ser inevitável e precisamos antecipá-lo para evitá-lo.Na minha opinião,tudo é tão favorável ao golpe que a grande questão é saber se as coisas vão se impor por si mesmas e eu entendo que os momentos serão muitos.De agora até depois de uma eleição presidencial  as condições de uma crise propiciadora,estarão presentes.
Então a resposta a esta pergunta é mais complexa e estrutural.