quarta-feira, 19 de julho de 2017

A importância pedagógica de não se reeleger Lula



O artigo anterior sobre Lula e a sua condenação é um intróito para uma questão mais séria:a sua reeleição.
Este assunto é que está por trás das afirmações do PT de golpe dado por Temer e a defesa ,pelo mesmo partido,de eleições diretas.Tudo isto é para favorecer Lula,mas mais ainda,para esconder as imensas responsabilidades deste partido na crise econômica atual e nos escândalos  de corrupção em que a esquerda se meteu.
A postura do PT é a mesma de Lacerda em 61 em relação a Jânio.Para eximir-se de culpa diante do fracasso real do governo daquele cômico,Lacerda criou a idéia de que ele o traíra para dar um golpe e fazer um governo sozinho,sem influência do governador da Guanabara e da UDN.
O PT e Lula repetem isto.
De outro lado existe uma similitude muito grande,que os seguidores do PT,principalmente os mais jovens e iletrados de seus militantes,com a passagem do governo parlamentarista para o presidencialista.
O plebiscito que garantiu a volta dos poderes de Jango só foi possível porque este,a exemplo de Getúlio,aceitou em seu ministério a direita,francamente contrária ao seu governo.
Os petistas costumam vender a falsa idéia de que eles são povo e que defendem(só eles)o  trabalhador,mas ,por vontade própria(diferentemente de Jango,que teve que aceitar)colocaram os representantes dos 5% mais ricos do país no ministério,afirmando a sua capacidade de negociação.Inclusive colocando Temer e o PMDB no governo.Agora afirmam a sua traição,a sua responsabilidade pela crise,formando um biombo em torno desta sigla falida que é o PT.
A volta de Lula,como eu já disse outra vez é uma queda no salvacionismo personalista de uma figura que tem responsabilidade nos problemas que o país atravessa hoje.É mentira que ele pode consertar o pais,porque o arrasou.
Acaso não era ele que dizia que o espetáculo de crescimento ia começar,já que o país,na metade do seu primeiro governo estava em recessão?
Então,antes que algum petista diga que o eleitor é quem deve decidir e que o que eu estou fazendo aqui é golpe,eu tenho o direito de pedir ao eleitor em geral que dê oportunidade a outro político de governar,pois isto representará a continuidade(ou a possibilidade de)do Brasil ,para além das personalidades.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

Lula lá la´,brilha(-va)uma estrela



A sentença histórica do Juiz Sérgio Moro ,condenando o evidente caso de corrupção envolvendo o Presidente Lula,marca uma virada histórica em nosso país,para o bem e para o mal.
Para o bem,na medida em que a lei passa a ser a diretiva fundamental da nação.Para o mal,enquanto desmoralização absoluta dos políticos brasileiros ,que continuam protagonizando um espetáculo dantesco,à revelia das necessidades do povo brasileiro.
Todos conhecem os meus critérios já expostos para abordar esta crise e diante deles eu percebo que a situação só piora,a cada dia.
O Presidente Lula só fica inelegível se for condenado em segunda instância e isto pode demorar um ano,em cima da eleição do ano que vem,que pode ir para a justiça.
Temer corre o risco de cair e quem pode entrar,Rodrigo Maia,já sofre pressões.
Eu errei ao dizer que haveria uma acefalia no Brasil:na verdade existem muitas cabeças e nenhuma direção,ou melhor,a direção predatória de destruição de direitos trabalhistas,com o favorecimento de determinados setores da burguesia brasileira,em detrimento da maioria do povo.
O que fazer diante disto?Como avaliar a figura de Lula,que decaiu totalmente?
Como diria Manuel Bandeira “ é melhor tocar um tango argentino”.

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Silas Malafaia e as maiorias



A questão da escola sem partido ,bem como a da ideologia de gênero se resume  no debate que normalmente Silas Malafaia e os cristãos têm com a esquerda anacrônica:ambos os lados têm um fundamento errado para a defesa que dizem fazer da democracia,que é o de associar a cidadania e o direito com as maiorias.
É lógico que na democracia as maiorias têm o poder de dar sentido à política,mas já passou o tempo delas oprimirem as minorias e decidirem sozinhas.
Mesmo nos regimes presidencialistas velhos e ultrapassados como o nosso esta verdade moderna da politica tem que ter o seu lugar obrigatório:a politica moderna é a soma das maiorias com as minorias,o reconhecimento de que a mais mínima manifestação legítima de idéias tem que ser ouvida nos parlamentos.
Mas mais do que isto, o direito,que anda lado a lado com a democracia ,lhe oferecendo um roteiro e balizas supostamente seguras de conduta,não pode ser influenciado diretamente por maiorias.
Quero dizer ,e este é o erro de todo o debate,que não é por causa de o Brasil ser predominantemente cristão,que as leis só devem expressar o pensamento cristão,o pensamento religioso.
Por estas duas balizas,o papel das minorias e o do direito,nós temos que lembrar que esta discussão é sobre os fundamentos nacionais,que o Brasil não tem até hoje e que outros países evoluídos o são por possuírem-nas, e que a sua consequência é que o poder politico público se escuda na cidadania,que transcende as maiorias.
O conceito de cidadania implica em deixar convicções pessoais,ideológicas e religiosas,para resolver problemas  da nação.Não que estes valores religiosos ou ideológicos não joguem um papel na formação dos valores,mas indiretamente,não diretamente.
Isso foi o que o nazismo fez:ganhando a maioria no parlamento eles se sentiram no direito de suprimir outros cidadãos,discordantes ,o que foi cristalizado num juramento militar à pessoa de Hitler,por cima do princípio constitucional básico de qualquer país,que tem a cidadania como base e escopo de qualquer nação ,moderna pelo menos.
Tanto Silas Malafaia está errado ao querer impor o cristianismo,quanto a esquerda com a sua ideologia.Ambos ignoram a nação, a cidadania, e agem como Hitler e os nazistas,impondo as suas maiorias.
Bem o cristianismo é maioria no Brasil,mas e a esquerda,que maioria ela tem?Ah,os trabalhadores,os pobres e oprimidos.Não sei até que ponto estes pobres e oprimidos delegaram direito de representação à esquerda,em suas diversas denominações.
O debate é fundamental,mas está totalmente errado e isto é um perigo(o fascismo).

domingo, 2 de julho de 2017

Petição de princípio



Formado em casa como marxista,como já o disse,dentro do útero o era,Marx ,para mim,era um cientista,o definitivo.Certa vez,no entanto,lendo a famosa enciclopédia delta larousse,o verbete sobre o pensador,estava dito lá “politico e teórico socialista alemão”.
O termo “ teórico” me causou um trauma,não o esperava.Marx  havia descoberto leis do desenvolvimento dialético da sociedade.
Após tantos anos,a dialética materialista objetiva caindo por terra,a minha visão vai de encontro a este verbete,feito provavelmente por um trabalhista.O fato é ,que como já disse outras vezes, viver de teoria é viver de vadiagem,pois a teoria carece sempre de comprovação e as principais teorias são trans-históricas e coletivas.É muito dificil um individuo produzir uma teoria que tenha este alcance.Não é assim.
O que motivou e motiva o meu trabalho é o seguinte raciocínio:os jornalistas investigativos que realizam obras de História,como as biografias são,não raro,mais profundos do que muitos historiadores profissionais,ou,pelo menos,a eles se igualam.
E muitas vezes a obra do dito “ profissional de área” deixa de lado as pessoas e sua responsabilidade,no que é um vício do materialismo economicista ,que entende a história como movimento econômico, escondendo crimes e violências,facilitando a idolatria,ainda hoje,de figuras históricas monstruosas.
Então eu perguntei em determinado momento e de acordo coma minha vocação:porque não poderia fazer o mesmo,em termos de artigos,com a filosofia e as ciências humanas?O astrônomo Ronaldo Rogério de Freitas Mourão escreveu livros de astronomia desta forma ,com grande sucesso e importância.
A publicística é o verdadeiro nome do jornalismo,palavra que identifica o pesquisador,principalmente o jornalista investigativo,só com o jornal impresso,o que não é fundamento desta atividade.
Publicista foi Voltaire,o mais bem sucedido dos” jornalistas” da História.
Mais do que isto,por minha formação jurídica,que toca a investigação criminal,às vezes,este trabalho é afeito a toda investigação,seja jornalista ou penal,usando o nexo cognitivo para produzir conhecimento,um objetivo,o que não é diferente do que se faz nas universidades.