segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Ônibus 174

Refletindo sobre o episódio trágico do ônibus 174   com  a repercussão  em   muitos documentários   e debates,há uma passagem do futuro  ministro de Direitos Humanos,Luiz Eduardo Greenhalg,que eu quero comentar e analisar aqui.
Ele  expressa um discurso  comum aos  defensores de Direitos Humanos  no Brasil,segundo o qual  as pessoas  como Sandro  são invisíveis para a maioria da população,nos sinais,debaixo das  pontes e nos manicômios   e hospitais.Isto é uma meia-verdade.Analisando   o discurso e a realidade com o rigor próprio do saber filosófico,que busca os fundamentos dos conceitos e os toma como verdade,podemos  dizer que não  é bem assim.
Uma parte  expressiva  da sociedade  quer  que estas pessoas  sejam invisíveis definitivamente,porque defendem o seu extermínio.Uma outra  é indiferente  e se enquadra na crítica do ministro.
Uma terceira,na qual me incluo,vê estas  pessoas e se angustia de não poder fazer  nada e levar uma culpa igual  a que levam estes dois primeiros grupos.
Ora  ,de que adianta  votar  em políticos pelo Brasil  todo se eles,sabendo do que acontece,não fazem nada  há anos?O sistema político brasileiro  não é representativo?Em que  medida  o cidadão,como eu,pode deixar a sua labuta diária para tentar  resolver um problema que os políticos e os partidos não resolvem?Tirar  do próprio bolso os recursos  para ajudar,é  isso?Isto  nós já fazemos,pagando os impostos.
Depois  que os pagamos  anos  a fio,os  sinais  de melhora são visíveis?
Será que o cidadão   deve entrar nos partidos?É fácil   fazer isto  sem dinheiro?Eu mesmo tentei várias vezes  e sofri até preconceito  por   ser de classe    média...
A  verdade é que  ,diferentemente  do que diz o discurso  do ministro   a invisibilidade  é por parte  daqueles que têm a responsabilidade de resolver o problema.Não  é que me sinta irresponsável diante de tudo isto,mas dentro desta nossa  democracia pobre existem  os mecanismos definidos  para achar o caminho.Nos sinais  eu me sinto como que agredido ,não pelo menino   que vende limões,mas pelo político e pelo Estado,que me pedem votos em certas ocasiões  e depois não me vêem também.Eu também  sou invisível.
Nestas   horas eu gostaria  de ter mecanismos constitucionais  para tirar   o meu representante e colocar  outro no lugar ou então  pedir de volta o dinheiro dos impostos.Talvez eu   mesmo  devesse  dizer onde alocar  o meu dinheiro,não o Estado.Em escolas  e hospitais.
Quando vemos   este episódio  do Maranhão  e ficamos sabendo que desde 2008,pessoas,  que  não se sabe que crimes  cometeram,morriam com uma semana de entrada no presídio  e  que  mulheres  deviam  já se prostituir  para  que seus parceiros não fossem barbarizados nós vemos que vivemos numa sociedade fascista que admite a morte dos invisíveis e  só se escandaliza    quando o fato     manchete ou quando oferece alternativa política   para quem quer se opor ao governador do Estado(que também deixou acontecer...).
  se  fala em tolerância zero em pequenos furtos  ou com os adeptos do “ tapinha”,mas este princípio deveria valer para  todo excluído    em  qualquer  momento que ficasse na rua  ou entrasse  num presídio.

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