sábado, 18 de abril de 2026

Lula é o novo Jango

 

Lula disse recentemente que na democracia é preciso aceitar o resultado das eleições. Lógico. Mas nós estamos diante de uma realidade excepcional, semelhante àquela que esteve em frente ao Presidente Jango: o golpe continua sendo fomentado, bastando apenas que golpistas tomem o poder, seja pela força ou pelas eleições.

È esta a conjuntura que está diante de nós e a responsabilidade do Presidente Lula em evitar o golpe é imensa. A mesma do Presidente Jango.

É claro que há diferenças entre estes dois momentos: a conjuntura da guerra-fria era extrema, exercendo uma pressão imensa sobre o nosso país.

Aqui eu não vou relembrar as atitudes de Jango frente a esta situação, os seus erros e acertos. Mas considerar o que aconteceu é fundamental hoje para defender a democracia.

O continuísmo de Lula é bom? Não seria melhor uma candidaura diferente? Como Haddad?

Os que lêem os meus artigos percebem o meu pessimismo quanto à vitória do continuísmo, fundado nos resultados das pesquisas: ainda não foi o momento em que Flávio superou Lula. Continuam empatados com uma diferença: em segundo turno o espectro ético brasileiro, pende, como eu sempre tenho dito, para a direita, para o conservadorismo, para a religião.

Isto equivale a uma superação eleitoral. Todo o mingau está sendo comido pelas beiradas e não há reação do lado esquerdo, muito pelo contrário, a ideia de uma confrontação definitiva ganha força, repetindo 64.

O final do filme todo mundo sabe: a direita toma o poder e reprime a oposição.

Não acredito que a ditadura vá se implantar imediatamente logo que a eleição acabe. Será um processo continuo de legitimação de um autoritarismo contra os setores ditos progressistas, mas o fato é que há uma responsabilidade sobre nós da esquerda em evitar a repetição de 64 e não apostar em aventuras, dando conta de que o Presidente Lula, como Jango, vai apoiar uma “revolução esquerda”.



quarta-feira, 15 de abril de 2026

O povo brasileiro não é fascista tampouco comunista

 

Vendo as minhas publicações no instagram me deparei com uma reunião da esquerda em geral, pcdo B, Psol, PCB, propondo radicalização, pela boca de Jandira Feghalli.

É duro,para um velho como eu, ver que as discussões sobre democracia da minha geração não tiveram repercussão nenhuma nas gerações seguintes.

Continuam os mesmos erros, a mesma crença numa revolução, que Engels já dissera acabada em 1894.

O socialismo real acabou por culpa dos outros, não por seus “méritos”: escassez de bens , falta de democracia, prisões, ditadura, algumas coisas que Marx não defendia como finalidade.

A ditadura do proletariado era para durar no máximo seis meses. Ele tirou este exemplo da república romana.

A extensão indefinida do socialismo, da etapa socialista, não superava o estado burguês, porque um outro grupo ocuparia o estado e oprimiria o povo todo, como fazia, segundo ele , a burguesia.

Depois que a classe operária adquiriu força no mundo social não fala mais em revolução há cerca de um século. Porque ela não vai por em risco o que conquistou.

O esquema de 64 continua aí: um presidente acuado, acusado de querer continuar e ser ditador, uma direita com mais penetração no povo e uma esquerda radical falando em assaltar o poder.

Eu me pergunto se esta radicalização não tem anuência de Lula, se ele não está encampando esta “ via” irresponsável destes corifeus atrasados da esquerda.

Ou talvez eles esperem novamente convencer aquele que detém o poder, de fazer a revolução, ou as transformações que eles querem, sem levar em conta a democracia.

Eu não acredito em tomada do poder por este resto, mas , como em 64, vão fornecer mais uma vez motivo e justificativa para implantação de uma ditadura de direita, se Flavio Bolsonnaro se eleger.

O povo brasileiro, Jandira, não é de direita e nem fascista, mas é conservador, religioso e de modo nenhum comunista! Os comunistas ainda acreditam que a consciência de classe do povo vai se fazer se um governo comunista suprir, estando no poder, as suas carências materiais.

Uma estupidez de Marx e Luckacs que persiste até aos dias de hoje.

domingo, 12 de abril de 2026

Tem tanta gente que já morreu e não sabe

 

O desejo de matar o Ernesto continua. É um projeto da direita insuflar contra as pessoas que pensam diferente, possíveis fanáticos, capazes de tudo.

Vamos lá, páro o meu trabalho para dizer algumas coisas: existem pessoas aí que estão em pé como Lázaro depois de Jesus Cristo, mortos ressuscitados para não dizer nada.

Na área esportiva então, é uma festa. O que me impressiona é que tem gente que acredita que um comentarista pode dizer uma verdade que foge ao técnico.

Parece que se colocasse um comentarista no campo a vitória seria sempre do comentarista. O cara está se valendo de uma mentira, uma inverdade para convencer pessoas que gostam de ser enganados.

Como se o futebol fosse uma ciência exata, que basta conhecer as suas leis para conseguir tudo.

Antigamente, quando havia só o rádio, era natural que houvesse um comentarista, porque ninguém obviamente via o jogo. Hoje com múltiplas câmeras, com todo mundo vendo, os comentaristas dizem catadupas de obviedades e ficam fazendo um esforço para complexificar o jogo, de modo a dar importância a si mesmo e significado a uma coisa que é muito simples.

A função do comentarista é adiantar aquilo que vai acontcer depois do final do jogo: discuti-lo com o espectador. Só isto.

E alguns insistem em ficar não deixando espaço aberto para uma nova geração de comentaristas, que poderia expressar melhor os valores e critérios de nosso tempo atual.

Mas a verdade é que é uma manipulação de consciências, um pacto de sonho psicótico o explicar até cansar as táticas e estratégia do jogo.

Não houve uma renovação e atualização as gerações passadas de comentaristas que ficaram em priscas eras.





domingo, 5 de abril de 2026

Como vejo o mundo sempre

 

Depois de assistir ao filme “nuremberg” algumas reflexões se me impuseram à mente: como vejo o mundo?

Tendo uma preocupação, desde a infância, com a utopia, sou daqueles que sempre procuram o bem na humanidade e é frequentemente frustrado nesta intenção.

Quem é utopista sempre passa por este periodo necessário de frustração, mas, eu não sabia, uma onda de otimismo, calcada no conhecimento,aparece, na velhice.

É possível imaginar que no passado tenham havido pessoas boas que não comungaram com nenhuma forma de preconceito ou ódio. É possível. Dificil, mas é possível.

É em função desta possibilidade que termino a minha vida com moderado otimismo diante da humanidade.

Lênin possuia esta preocupação e inventou os nomes no obelisco. Explico : ele mandou erguer obeliscos nos quais se gravavam o nome de pessoas boas, humanas, segundo critérios elaborados por ele.

Como europeus que eram é de se perguntar se não eram racistas ou tinham algum motivo falso de ódio a alguém.

Ninguém sabe se diante do negro fosse São Francisco de Assis racista. Teve contato com árabes negros e não agiu preconceituosamente.

Vê- se que critérios para achar uma pessoa boa são dificeis. Mesmo assim há que procurar, há que buscar com critérios cada vez mais afiados de prospecção.

O “homem novo” não é no futuro que se encontra, mas no presente e no passado. É uma construção histórica, cotidiana, que exige mais e mais atenção de quem é utopista, porque as coisas só pioram.

Mas eu acredito que este artigo inicia uma série de reflexões e conjecturas sobre este homem de bem que a civilização colocou por debaixo do tapete, em condições gerais de opressão e manipulação.

É raro encontrar na “parte de cima” alguém assim, mas se encontra também.


domingo, 29 de março de 2026

Lula: o próximo Biden?

 

Eu pensei numas duas semanas atrás na similitude entre Biden e Lula e , devo reconhecer, um articulista do msn trouxe o problema. Mas ontem o discurso do “ cachorro”me instigou o atual artigo.

Eu ia deixar passar, depois que o articulista citado escreveu, mas eu não resisto em comentar este discurso: Lula pode estar indo no mesmo caminho de Biden. Não é só o PT que envelheceu, como disse Fernando Morais, é Lula que está sofrendo com a passagem do tempo.

O discurso do “cachorro” foi um amálgama de tudo o que um presidente da república não deve dizer. Este discurso está abaixo das funções presidenciais, do serviço público eventual, que é o cargo.

Do ponto de vista nacional também não tem relevância nenhuma. A piada com o chinês próximo é uma gaiatice de extremo mau-gosto que faz piada com o sofrimento dos animais daquele país, ferindo a sensibilidade das crianças aqui no Brasil. César Maia se referiu mais uma vez ao gaiatismo excessivo do Presidente Lula, desde o primeiro mandato. Mas agora ele(Lula) está perdendo o controle, o limite, com consequências tétricas para a esquerda na eleição vindoura.

Pode acontecer aqui no Brasil aquilo que aconteceu na eleição presidencial dos Estados Unidos: a velhice de Lula tem tudo para comprometer o quarto mandato e se Flavio , que também é muito despreparado, ganhar, entraremos numa ditadura ou, pelo menos, numa sua tentativa.

Já não seria, pois, hora de pensar numa alternativa? A esquerda parece um elefante velho com dificuldade de se locomover. Mais do que isto, como diz Fernando de Morais, não há recursos para se movimentar, para encontrar uma alternativa.

Também não é uma saída “forte” demais propôr José Dirceu para substituir Lula, um politico(José Dirceu[ou serão os dois?])acabado?

Na hora H, da crise, um interesse pessoal de promoção aparece, mostrando que quem critica o PT e Lula está no meio da crise, sendo parte dela.



sábado, 28 de março de 2026

De senectude (da velhice) a velhice pode ser a pior das doenças

 

Entrado , como estou, em três anos na velhice posso fazer um balanço do que esta idade significa e o que tem de verdade no que me disseram antes.

Todas as previsões estão confirmadas: descaso, desconsideração, solidão, golpes, tentativas de golpes.

O mundo para mim agora é dividido em três partes: as crianças que sofrem no inicio da vida problemas semelhantes aos dos velhos; os velhos que sofrem os seus problemas e a parte do meio da vida que são as pessoas que causam sofrimento a estes dois lados.

Parece- me que as crianças nascem para preencher certas necessidades dos pais, que os “ chamam” para este mundo. Nós viemos sem convite para este vale de lágrimas e portanto não é nossa responsabilidade o que nos acontece.

Religiões procuram dar sentido a esta verdade, mas ele é dura sim, ela é assim.

No caso dos velhos ocorre algo semelhante, defnido pelo fato que todos desejam aquilo que é óbvio nesta idade: a possibilidade de morrer logo.

Se se trata de um velho pobre ou miserável ele é deixado para trás e isto vem desde os tempos primitivos.

Se ele tem dinheiro,hum...! Aí a coisa muda de figura. Toda a gente fica em volta para se aproveitar deste “ tipo” de velho, com a esperança de sua morte.

Quando ela não vem rápido golpes são dados e o pior , assassinatos são realizados. Estes ainda são achados.

Mas os golpes muitas vezes não têm reparação. Na qualidade de advogado ( velho) tenho visto golpes em cima de golpes.

Mas o fato é que o velho parece atrapalhar a continuidade da vida, atrapalha o movimento e é uma luta que eu desenvolvo há anos para transformar esta realidade.

Quantos de nós , ao chegar à velhice , não olha para trás e reconhece que cometeu erros? Se os velhos pudessem ensinar aos jovens e evitar que eles cometam estes erros, a qualidade da vida humana melhoraria e isto seria uma contribuiçaõ dos idosos.

Há muitos anos eu propus nestes artigos que os parlamentos, entre eles o brasileiro, deveriam ser como o parlamento inglês: uma parte dele deveria ser ocupado por velhos doutos, experimentados, que servissem de consultores ao movimento politico do cotidiano.

Entre muitas funções este setor poderia colher a contribuição de todos os velhos do país, para ajudá-lo(s) e também poderia ser um órgão fiscalizador da velhice(maus-tratos contra velhos) e fomentador de atividades para os velhos. Que tal?



domingo, 22 de março de 2026

Breno Altman

 

Outro que veio aqui no meu youtube foi um senhor Breno Altman , que eu conheço aqui das redes. Logo que escrevi o artigo sobre o golpe, que o “golpe vai vir” este senhor joga uma série de conceitos e truques baratos , não para me contestar, mas me jogar numa situação incômoda de apoiador de golpe e tal. Sem conseguir naturalmente.

Desde que eu entrei na universidade eu sempre enfrentei estes politicos de esquerda , que animados pela “ ideologia científica”, colocaram as conveniências eleitorais e politicas à frente da verdade. Pelo fato de eu dizer que o golpe vai vir, dito numa forma irônica, que às vezes foge a certos tacanhos, significa que eu o apóio.

O que eu disse foi que deste jeito aí o golpe é inevitável, só isto.

Agora as explicações deste senhor: seguindo o meu roteiro explicativo faz uma série de considerações, primeiro sobre as pesquisas eleitorais, o método para se chegar a um objetivo, querendo negar, por frações matemáticas o fato de que Flávio Bolsonnaro não só empatou, como vai passar o Lula na próxima pesquisa. A ideologia “científica”(cientificista), que ,como não tem nada, se submete ao voluntarismo dos radicais(ou seja qualquer coisa vale para se obter o objetivo), provoca este tipo distorção e delirio: não foi bem isto, não empatou de fato etc, etc.

Em segundo lugar inventou esta história de que Lula tem uma estratégia gradualista por oposição a uma “ revolucionária”, que é a que o povo deseja, como se o povo o compreendesse e o quisesse.

Vamos dizer umas palavras a estes radicais sobre o povo: é claro que o povo brasileiro, em alguns de seus extratos, adquiriu hoje um avanço na consciência politica, mas não em direção ao socialismo e ao comunismo . O povo brasileiro não é comunista e não tem previsão de sê-lo em termos imediatos.

Eu compreendo a razão pela qual estes radicais fazem esta confusão: a maldita questão da consciência de classe objetiva.

Como Marx e Luckacs disseram que a consciência subjetiva s e define por sua inserção(objetiva)na classe a que pertence(Ninguém pode se negar a este pertencimento objetivo), o radical “ entende” que se a politica (revolucionária)reconhecer as necessidades objetivas do sujeito(principalmente da classe operária) ele reconhecerá ipso facto a sua condição de classe e a sua consciência subjetiva e seguirá a utopia, o socialismo e.. o comunismo de bom grado, como se neste meio não estivessem os valores.

Reconhecer o real e a sua verdade é a condição de mudança. Os valores do povo brasileiro não são tacanhos , eles são simplesmente, como de qualquer povo.

É lógico que o nivel de consciência de nosso povo não é igual ao de outros, mas os seus valores devem ser levados em consideração, como verdade concreta que são( “ a verdade é concreta” Marx)

Nem sempre o discurso abstrato consegue chegar nesta concretude.

A sociologia compreensiva, como eu expliquei há muitos anos atrás ,é mais apta do que o marxismo a encontrar os traços distintivos da mentalidade média do povo brasileiro e valorizá-las como conhecimento verdadeiro .

O povo brasileiro é emocional, arcaico, hierárquico e personalista. Ele vê as pessoas, não as politicas e os programas, e tem uma queda para destacar aspectos intimos dos politicos, até beleza. Acostumado que é a ver novelas e saber das fofocas artísticas...

Ainda me lembro de minha vó, que não era muito favorável à ditadura, chorar no enterro televisionado de Costa e Silva: “Coitado, coitado, coitado!!!!”

A mesma coisa acontece hoje com Bolsonnaro: “coitado! Coitado! Coitado”. E Flavio: “ o filho que está ajudando ao pai”, “que lindo!”

São estes valores que estão levando a direita ao poder de novo. Dizer isto não é elitismo. É que o método de prospecção da verdade é outro, é a psicosocialidade. O marxismo não tem como chegar a isto e quando alguém como eu o diz, é taxado de elitista porque o brasileiro compreende sim. Não compreende o marxismo não.